
No futebol, como em qualquer outra modalidade ou competição, incluindo o jogo do poder, insistir no mesmo treinador ou administrador, quando os resultados são paupérrimos, é um indicador claro de teimosia institucional.
Parece-nos disparatado e até masoquista procurar resultados diferentes usando metodologias e operadores falhos num passado recente.
A época passada foi desesperadamente sofrível para os adeptos do Benfica. A equipa foi humilhada pelos adversários diretos, apresentou um futebol pobre, procedeu mal na gestão do plantel e não teve argumentos para a manutenção de jogadores importantes. O resultado foi lastimável.
Rui Costa, o presidente teimoso, está com a corda na garganta. Quase foi necessário um “levante” popular para os benfiquistas se verem livres de Roger Schmidt.
Os adeptos disseram basta e colocaram o presidente contra a parede: ou sai o treinador ou saem os dois para a rua. Diante do dilema, o presidente salvou a sua pele. O treinador foi finalmente despedido.
De tão maus resultados colhidos no início da época, 5 pontos em 12 possíveis e jogando contra equipas teoricamente inferiores, o Benfica viu-se obrigado a rescindir com o treinador alemão.
A equipa nada produziu, como se constata. Não foi capaz de obter resultados positivos na época passada e preparava-se para a mesma proeza este ano.
O problema nunca esteve nos jogadores. O treinador e a direção do clube é que nunca estiveram à altura de conceber uma estratégia sustentável a longo ou médio prazo.
Nunca conseguiram explorar as competências técnicas dos jogadores. Não foram capazes de segurar as unidades mais valiosas do plantel. Resumindo, tem sido uma gestão miserável.
Detalhe: o Ismael Mateus sempre alertou. Hoje, concluímos que estava certo. A confusão no Benfica faz-me pensar na atual situação do MPLA. São inúmeros os episódios que estimulam o paralelo.
Entretanto, fiquemos com o mais recente. A direção do partido decidiu convocar os CAPs para um diálogo aberto, franco e indicativo. Esperava-se que os membros da direção do partido, nomeadamente do Comité Central ou até mesmo do Bureau Político, surgissem publicamente clarificando as teses do mestre.
O que vimos até agora foram alguns “balbucios” mal elaborados de jovens bem-intencionados, mas sem competência técnica, autoridade política e moral e, como se não bastasse, mal-educados, tentando indicar o caminho.
Ora, senhores, o tempo não é para espetáculos ou gracinhas. Quanto mais malabarismo, pior se torna a imagem do partido. Na verdade, tem sido assim nestes sete (7) anos de governação de JLO.
Aliás, o resultado de 2022 já expressava essa preocupação. Para ser mais claro, a atual crise do partido tem como fundo a má construção da equipa de apoio ao Presidente, tanto no partido como no Executivo.
E, quando se acreditava numa alteração mais do que conveniente, o presidente do clube resolve manter o treinador na gestão da equipa. Não tem como resultar…
Tal como aconteceu no Benfica, espera-se que o Presidente tenha o tacto necessário e salve o Partido e o seu Executivo. E talvez fosse bem oportuno repensar se não seria necessário confirmar a idoneidade e as verdadeiras intenções das supostas pessoas de confiança.
Detalhe: O Ismael Mateus tem advertido para o descaso de alguns auxiliares. É escusado dizer que a sua premonição está correta.