Alemanha quer gás de Angola para reduzir dependência energética
Alemanha quer gás de Angola para reduzir dependência energética
Anpg

A Alemanha está a considerar Angola como um dos potenciais novos fornecedores de gás natural, no âmbito da estratégia de diversificação energética de Berlim, face à instabilidade provocada pela guerra na Ucrânia e pelas tensões no Médio Oriente.

A informação foi avançada pela ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche, citada pela imprensa internacional, ao defender a necessidade de o país reduzir a dependência de rotas e mercados considerados vulneráveis.

Segundo a governante, a Alemanha pretende reforçar o seu aprovisionamento energético com novos parceiros, entre os quais Angola, Canadá e México, numa altura em que o mercado internacional enfrenta perturbações decorrentes do conflito no Golfo Pérsico e do impacto prolongado da guerra na Ucrânia.

“A lição mais importante da Ucrânia e agora do Irão é que não podemos depender de gargalos”, afirmou Katherina Reiche, numa referência ao encerramento do estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de petróleo e gás.

A ministra alemã alertou ainda para a possibilidade de os preços da energia permanecerem elevados durante algum tempo, sublinhando que o mercado continuará a incorporar um prémio de risco mesmo que as infra-estruturas energéticas da região venham a ser estabilizadas.

A Alemanha foi um dos países europeus mais afectados pelo corte no fornecimento de gás russo, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, uma vez que durante anos beneficiou de fornecimento energético mais barato por via de gasodutos.

Desde então, Berlim passou a depender em maior escala da importação de gás natural liquefeito (GNL), sobretudo proveniente dos Estados Unidos de América, mas procura agora diversificar a sua carteira de fornecedores.

No caso angolano, o interesse alemão surge num momento em que Angola reforça a aposta na produção e exportação de gás, com o objectivo de consolidar a sua posição como fornecedor energético para os mercados europeu e asiático.

Conforme dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), Angola prevê aumentar a produção de gás em 20% até ao final da década, no quadro de uma estratégia que inclui novos projectos de exploração e desenvolvimento.

Até 2030, o país espera mobilizar cerca de 60 mil milhões de dólares em investimentos no sector petrolífero e gasífero, incluindo a perfuração de 23 poços de exploração, 11 dos quais em áreas marítimas.

Este mês, arrancou a produção de gás no campo de Quiluma, operado pela Azule Energy, uma ‘joint venture’ entre a BP e a Eni, com participações da Cabinda Gulf Oil Company, Sonangol e TotalEnergies.

O projecto integra a estratégia angolana de valorização do gás natural, num contexto em que o país procura reduzir a dependência do petróleo e aumentar a monetização de recursos energéticos alternativos.

Para Angola, o eventual interesse da Alemanha poderá representar uma oportunidade de reforço da sua presença no mercado internacional do gás, num momento em que a segurança energética voltou a ganhar centralidade nas prioridades das principais economias mundiais.

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