
Angola vai acolher, de 5 a 7 de Julho, a 5.ª Assembleia Anual do Africa Sovereign Investors Forum, num momento em que o continente procura mobilizar recursos próprios para financiar a sua transformação estrutural.
O encontro, a decorrer no Hotel Intercontinental Miramar, em Luanda, é organizado em parceria com o Fundo Soberano de Angola e deverá reunir representantes dos 17 fundos soberanos africanos membros do fórum, além de responsáveis governamentais, investidores institucionais internacionais e especialistas do sector.
Sob o tema “Alocação Estratégica num Mundo Constrangido – Mobilizar os Recursos de África para a Sua Transformação Estrutural”, a reunião decorre num contexto global marcado por restrições financeiras e mudanças nas dinâmicas de investimento, reforçando a necessidade de o continente apostar em capital próprio para sustentar o desenvolvimento.
Segundo o presidente do conselho de administração do FSDEA, Armando Manuel, a realização do evento em Luanda reflecte a aposta de Angola na criação de instituições financeiras capazes de impulsionar o crescimento interno e regional.
Já o presidente do ASIF, Obaid Amrane, sublinhou que o foco actual deixou de ser a capacidade do capital africano e passou a centrar-se na sua estruturação e aplicação eficaz.
Criado em 2022, em Rabat, sob o patrocínio do rei Mohammed VI, o ASIF integra actualmente 17 instituições e gere activos avaliados em milhares de milhões de dólares. Através da sua plataforma de investimento, o fórum pretende mobilizar até 50 mil milhões de dólares em financiamento misto até 2030.
A escolha de Luanda como anfitriã é vista como um reconhecimento do papel crescente de Angola na diplomacia económica africana e na gestão de investimento de longo prazo, com o FSDEA a posicionar-se como um actor relevante em sectores como infra-estruturas, agricultura, imobiliário e mercados financeiros.
O evento deverá combinar debates estratégicos com decisões de investimento, sendo apontado pelos organizadores como um espaço onde a agenda de desenvolvimento do continente se traduz em projectos concretos e parcerias financeiras.