
Angola foi eleita, esta terça-feira, membro do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas para o triénio 2026-2028, durante a 18.ª reunião plenária da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque.
O país obteve 179 votos favoráveis e três abstenções, garantindo assim a sua quarta presença no órgão composto por 47 Estados-membros, com sede em Genebra, Suíça.
A eleição ocorre num momento em que Angola enfrenta críticas internas e internacionais pela deterioração das liberdades civis e pela descida significativa em indicadores globais de direitos humanos e democracia.
No último World Human Rights Index, publicado por organizações internacionais, o país caiu várias posições devido a restrições à liberdade de imprensa, detenções arbitrárias, censura e repressão a manifestações pacíficas.
Apesar disso, o Executivo angolano celebra o resultado como “reconhecimento dos avanços institucionais e do compromisso do país com a dignidade humana”, prometendo, segundo comunicado oficial, “reforçar os mecanismos multilaterais e proteger os direitos das pessoas mais vulneráveis”.
Angola será representada no Conselho pela embaixadora Ana Maria de Oliveira, representante permanente junto dos Escritórios da ONU em Genebra.
O país é membro fundador do órgão, instituído em 2006, tendo já cumprido dois mandatos consecutivos (2007-2013) e outro entre 2018 e 2020.
A reeleição, porém, levanta questionamentos sobre a coerência da ONU ao integrar países com déficits democráticos e registos problemáticos em matéria de direitos humanos.
Activistas e analistas locais, contactados pelo Imparcial Press, consideram que a nomeação de Angola “contrasta com a realidade vivida no país”, marcada por desigualdades sociais, pobreza extrema e perseguição de vozes críticas.
Em Julho deste ano, o Conselho de Direitos Humanos da ONU adoptou o relatório de Angola sobre a situação dos direitos humanos, reconhecendo “progressos institucionais”, mas também recomendando maior protecção às liberdades fundamentais e transparência na actuação das forças de segurança.
No grupo africano (Grupo A), foram igualmente eleitos África do Sul, Egipto e Maurícias, todos países que também enfrentam desafios internos em matéria de direitos humanos.