Angola entre o Ocidente e a China – Vlademir José Honório
Angola entre o Ocidente e a China - Vlademir José Honório
CL1

A logística moderna já não trata apenas de movimentar caixas de um ponto A para um ponto B. Trata-se de Geopolítica. E quem ignora isso, está a operar no passado.

A visão Míope

Durante décadas, a logística em Angola foi vista sob uma ótica limitada: ou servia para a exportação de crude ou para a importação de bens de consumo para Luanda.

Essa visão operacional ignora a nossa maior vantagem competitiva: a posição geográfica no Atlântico Sul.

Muitas empresas ainda desenham as suas estratégias baseadas apenas no eixo de Luanda, perdendo oportunidades cruciais de eficiência e redução de custos.

Geopolítica logística e a corrida pelos minerais

Estamos no meio de uma reconfiguração das cadeias de suprimentos globais. As grandes potências (EUA/UE via G7 e China via Rota da Seda) travam uma corrida silenciosa pelo acesso a minerais críticos necessários para a transição energética.

A teoria logística aqui é clara: quem controla a rota de escoamento mais rápida e segura, controla a cadeia de valor.

A jóia da coroa (Corredor do Lobito)

É aqui que Angola muda o jogo. O Corredor do Lobito não é apenas uma ferrovia reabilitada; é o ativo logístico mais estratégico da África Austral neste momento.

Com o forte investimento internacional, Angola posiciona-se como a saída mais eficiente do Copperbelt (Cinturão de Cobre) para o Atlântico.

Para nós, profissionais do setor, isto significa uma mudança de paradigma: Deixamos de gerir apenas operações portuárias para gerir corredores multimodais complexos. Angola deixa de ser um ponto final e torna-se um Hub Regional.

A infra-estrutura está a ser preparada. A pergunta que fica é sobre a prontidão das empresas.

A sua empresa já começou a reavaliar as rotas de exportação/importação considerando a capacidade total do Lobito prevista para 2026, ou o vosso planeamento estratégico ainda depende 100% da saturação de Luanda?

*Gestor de Logística e Compras

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