Angola regressa aos mercados internacionais de capitais
Angola regressa aos mercados internacionais de capitais
Minfin vera

Angola regressou esta terça-feira aos mercados internacionais de capitais, com uma emissão de Eurobonds no valor total de 1,75 mil milhões de dólares, marcando o retorno do país a este tipo de financiamento soberano três anos após a última operação.

De acordo com uma nota do Ministério das Finanças, enviada ao Imparcial Press, a emissão foi estruturada em duas tranches: a primeira de 1 mil milhão de dólares, com maturidade de cinco anos (2030) e taxa de cupão semestral de 9,25%; e a segunda de 750 milhões de dólares, com maturidade de dez anos (2035) e taxa de cupão de 9,78%.

O documento destaca que o livro de ordens superou largamente o montante emitido, atingindo cerca de seis mil milhões de dólares em intenções de investimento, um sinal, segundo o Ministério, de renovada confiança dos investidores internacionais na economia angolana e na gestão das finanças públicas.

Esta operação representa a primeira emissão soberana desde 2022, ano em que Angola também captou 1,75 mil milhões de dólares, e reflete o retorno gradual do país aos mercados globais num contexto de maior estabilidade macroeconómica e consolidação fiscal.

Angola estreou-se no mercado internacional de Eurobonds em 2015, com a emissão designada “Palanca I”, que captou 1,5 mil milhões de dólares, seguida por novas operações em 2018 (3,5 mil milhões) e 2019 (3 mil milhões), estas últimas distribuídas em duas tranches.

Os Eurobonds, títulos de dívida emitidos em moeda estrangeira (geralmente dólares norte-americanos), são instrumentos financeiros utilizados para diversificar as fontes de financiamento externo, melhorar a gestão da dívida pública e sustentar o equilíbrio orçamental.

Segundo o Ministério das Finanças, a nova emissão “reforça a presença de Angola nos mercados internacionais e contribui para o reposicionamento do país como destino credível para o investimento estrangeiro”, num momento em que o Executivo procura financiamento competitivo para impulsionar o crescimento económico e reduzir o custo médio da dívida pública.

Especialistas sublinham que este regresso ocorre num cenário de maior estabilidade macroeconómica, em que Angola tem reduzido o peso da dívida pública para cerca de 68% do PIB, beneficiado de revisões positivas de rating soberano pelas agências internacionais e registado melhorias nas reservas internacionais e na estabilidade cambial.

No entanto, alertam que o elevado custo dos juros e a exposição cambial continuam a ser desafios a gerir, exigindo uma política fiscal prudente e maior diversificação das receitas públicas para garantir sustentabilidade no médio prazo.

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