Angola solicita apoio dos EUA em ciberdefesa após ataque informático à Unitel
Angola solicita apoio dos EUA em ciberdefesa após ataque informático à Unitel
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Angola manifestou interesse em reforçar a cooperação com os Estados Unidos nas áreas da ciberdefesa, proteção de infraestruturas críticas e inteligência artificial aplicada à defesa, numa iniciativa que surge após o recente ataque cibernético à operadora Unitel, que afetou as comunicações em várias regiões do país.

O pedido foi apresentado no âmbito da reunião do Comité Conjunto de Cooperação em Defesa Angola–Estados Unidos (DEFCOM), que decorre desde terça-feira, em Luanda, ao abrigo do Memorando de Entendimento assinado entre o Ministério da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Na abertura dos trabalhos, o secretário de Estado para a Indústria Militar, Afonso Carlos Neto, afirmou que Angola pretende reforçar as suas capacidades nacionais nos domínios da formação especializada, ciberdefesa, inteligência artificial aplicada à defesa e proteção de infraestruturas críticas, áreas consideradas estratégicas para responder aos novos desafios de segurança.

Segundo o governante, o objetivo passa igualmente por promover a transferência de tecnologia, incentivar a investigação científica, estimular a produção local e estabelecer parcerias industriais sustentáveis no setor da defesa.

“A intenção é criar um conglomerado nacional capaz de apoiar a manutenção e modernização de equipamentos militares, bem como a produção de sistemas tecnológicos para o setor da defesa”, afirmou.

Afonso Carlos Neto sublinhou que uma indústria de defesa robusta constitui um instrumento de afirmação da soberania nacional, contribuindo simultaneamente para a diversificação da economia e para a criação de emprego qualificado.

O secretário de Estado manifestou ainda a expectativa de que a reunião produza novos entendimentos entre os dois países em áreas como segurança marítima, medicina militar, engenharia militar, resposta a emergências, operações de manutenção da paz, realização de exercícios conjuntos e intercâmbio académico entre instituições militares.

Por sua vez, a encarregada de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Angola, Shannon Cazeau, destacou o fortalecimento da parceria bilateral, considerando que Angola desempenha um papel relevante na promoção da paz e da estabilidade na região.

A diplomata afirmou que a cooperação em matéria de defesa se tornou um dos principais pilares das relações entre os dois países e salientou que mais de 60 empresas norte-americanas operam atualmente em Angola, com investimentos de milhares de milhões de dólares em diversos setores da economia.

Shannon Cazeau recordou ainda que, desde 1994, os Estados Unidos investiram mais de 160 milhões de dólares na remoção de minas terrestres em Angola, permitindo destruir mais de 100 mil engenhos explosivos, e reiterou o compromisso de apoiar o país a tornar-se livre de minas até ao final da década.

A responsável norte-americana destacou igualmente o Corredor do Lobito, para o qual estão mobilizados cerca de quatro mil milhões de dólares em financiamento público e privado destinados a projetos de infraestruturas.

O DEFCOM constitui o principal mecanismo de diálogo estratégico entre Angola e os Estados Unidos no domínio da defesa e segurança, servindo de plataforma para o aprofundamento da cooperação bilateral e para a identificação de novas áreas de colaboração entre os dois países.

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