
O veterano jornalista luso-angolano Artur Orlando Teixeira Queiroz negou, na terça-feira, dia 24, no Tribunal Judicial da Comarca do Porto, Portugal, a autoria do texto (de opinião) publicado em 2022 no blogue “Página Global”, que ataca o médico nefrologista angolano Matadi Daniel.
Em abril do ano em curso, o Imparcial Press noticiou (vide aqui: Jornalista Artur Queiroz constituído arguido pelos crimes de “difamação” e “calúnia”) que o coronel reformado das Forças Armadas Angolanas (FAA), Matadi Daniel, havia apresentado uma queixa-crime (processo n.º 4478/22.3T9VNG) contra Artur Queiroz, junto da Procuradoria da República da Comarca do Porto.
Na terça-feira, perante uma juíza do Juízo Local Criminal de Vila Nova de Gaia, do Tribunal Judicial da Comarca do Porto, que o julga pelo crime de difamação, Artur Queiroz negou reiteradamente a autoria do texto que deu origem ao processo, assim como a dos demais textos.
De salientar que, no dia 29 de Junho de 2022, a propósito da situação clínica do malogrado ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, Matadi Daniel publicou, no semanário Novo Jornal, um artigo que definiu como “uma reflexão clínica independente, baseada, somente, nos dados disponíveis, fornecidos pelos media, tanto nacionais como internacionais”, em que identificou as causas mais prováveis da enfermidade que consumia o antigo chefe de Estado.
“Pelo que sabemos, e não vale a pena escamotear, José Eduardo dos Santos (JES) padece de uma doença cancerígena de evolução prolongada (muito provavelmente um tumor maligno da próstata), sendo notório o seu fácies hipocrático, ou também designado fácies cadavérico, caracterizado por um rosto pálido e magro, olhos ‘fundos’ e inexpressivos, pele enrijecida e seca, ossos proeminentes e pele com aspeto de ‘chumbo’, bem como uma redução substancial da massa muscular, o que define geralmente uma situação clínica de muito mau prognóstico, decorrente da sua doença maligna prolongada.”
Especialista em doenças renais e coronel reformado das FAA, Matadi Daniel adiantava duas prováveis causas para o coma induzido em que JES se encontrava à data.
“Provavelmente terá sofrido um AVC na sequência da invasão tumoral à distância” ou “uma falência respiratória aguda inicial, com posterior paragem cardíaca, com consequente necessidade de ventilação mecânica”.
Um dia após a publicação do texto, Artur Queiroz qualificou o médico como um “porcalhão” que teria exposto as doenças de José Eduardo dos Santos.
Segundo Artur Queiroz, o nefrologista Matadi Daniel não passaria de “um carniceiro, um porco sujo, um canalha”, por, pretensamente, ter violado “de forma grave a intimidade da vida privada de um cidadão e, concretamente, a sua esfera pessoal”.
Confrontado, em tribunal, com o grave insulto, o jornalista Artur Queiroz não só negou a autoria do texto em que difamava o médico angolano, como elevou Matadi Daniel à categoria de “herói nacional e da África Austral”, pela sua participação na decisiva batalha do Cuito Cuanavale, determinante para o fim das agressões militares sul-africanas a Angola.
“Não escrevo há 10 anos”, disse categoricamente. “Eu não sou o autor desse texto. Para mim, o Dr. Matadi é um herói nacional. Mas não é só herói nacional. É também herói da África Austral”, disse, surpreendendo não apenas o médico, como a assistência.
Num estranho golpe de rins, Artur Queiroz prontificou-se espontaneamente a escrever um texto a demarcar-se dos graves insultos a Matadi Daniel e a “condecorá-lo” como herói nacional e da África Austral.
Depois de aprovado pelas duas partes litigantes, o texto deverá ser entregue à juíza num prazo máximo de 15 dias, para a necessária homologação e inserção nos autos.
Por exigência de Matadi Daniel, além do blogue Página Global, o texto que “limpa” a sua imagem terá de ser também publicado no Novo Jornal, que definiu como uma “kibanga (curral) de gado porcino”.
Em tribunal, Queiroz comprometeu-se também a fazer diligências junto do gestor do blogue Página Global, que afirmou não conhecer, para que doravante o seu nome deixe de estar vinculado a qualquer texto. “Não escrevo há 10 anos. Nem sequer sei lidar com as redes sociais”, repetiu.
com/VE