
Em política, as relações entre os países importam, e quando se fala de estabelecimento de cooperação, importa muito mais. A visita que o Presidente dos Estados Unidos da América efectua, a partir de hoje, ao nosso país, representa um importante marco. Mais do que o virar de uma nova página, nas relações entre ambos, é o reforçar de uma cooperação há muito estabelecida.
A chegada a Angola de Joe Biden deve ser interpretada como o confirmar do interesse dos Estados Unidos em fortalecer os laços de cooperação com Angola, na esteira da já anunciada relação estratégica com o continente africano.
Embora em fim de mandato, a visita do ainda Presidente norte-americano não deve ser abordada de ânimo leve. Apesar de estar de saída da Casa Branca, Joe Biden goza de prerrogativas para dar continuidade à agenda política, até à cedência da presidência a Donald Trump.
Aliás, parafraseando a porta-voz do Departamento do Estado dos EUA, Amanda Roberson, a relação de cooperação com os diferentes países não depende das administrações. E disse mais: as relações entre os Estados Unidos e Angola são profundas e estão se aprofundando cada vez mais.
Embalando nesta visão, estão lançadas as bases para que os dois países reforcem, ainda mais, a cooperação, mas sobretudo aproveitem esse momento importante que assinala as relações.
Para o nosso país, é inquestionável valorizar o momento, a julgar pelo ineditismo no histórico da cooperação, sendo que é a primeira vez que um Presidente americano visita Angola.
Se, por um lado, é o sinal da importância que os norte-americanos atribuem a Angola, por outro, representa o elevar de responsabilidades para o nosso país, enquanto parceiro importante para os Estados Unidos.
Ambos os países já cooperam em vários domínios, mas, com a chegada de Joe Biden, adivinha-se o alargar ou acentuar da cooperação a outros sectores. E, diga-se, nesse aspecto, que o Corredor do Lobito se apresenta como o principal “cartão de visita”, dado o investimento norte-americano no local.
É por demais conhecida a importância daquela infra-estrutura ferroviária para o desenvolvimento das economias africanas. O Corredor do Lobito vai conectar o continente africano, pela primeira vez.
Nada mais significativo e de superior relevância para o nosso país. Por aquele caminho vão passar os minerais essenciais, que são importantes para a energia verde. O local vai criar, também, muitos empregos.
As vantagens desta parceria são inúmeras. Vão desde a economia, comércio, finanças, energia, indústria transformadora, serviços aéreos, segurança, saúde, justiça, promoção da paz, segurança regionais, luta contra a corrupção e promoção da democracia. Um misto de oportunidades de cooperação, mutuamente vantajosas.
Inquestionável, por isso, a diplomacia externa do Presidente João Lourenço, cuja actuação no contexto regional assume importante papel na mediação de conflitos, determinante para a visibilidade conquistada por Angola a nível internacional.
*Jornalista