
O Banco de Exportação-Importação dos Estados Unidos (Ex-Im Bank) está no centro de uma análise minuciosa após aprovar um financiamento de 2,5 mil milhões de dólares destinado a apoiar o desenvolvimento de energia verde em Angola.
Embora o banco garanta que o investimento ajudará a criar milhares de empregos americanos, críticos levantam questões sobre o real impacto nos Estados Unidos, uma vez que as empresas principais beneficiadas têm laços com interesses estrangeiros e com a liderança angolana.
O Ex-Im, dirigido por Reta Jo Lewis, designada pela administração de Joe Biden, liberou, em junho de 2023, uma tranche de 900 milhões de dólares, seguida por um segundo empréstimo de 1,6 mil milhões à empresa norte-americana Sun Africa.
A Sun Africa é responsável pela construção de centrais solares, mini-redes e infraestruturas de tratamento de água em Angola. No entanto, enquanto a administração Biden argumenta que o apoio a este projeto faz parte de uma estratégia de competitividade global que visa contrapor a influência da China, a lista de fornecedores sugere um quadro complexo de alianças e influências estrangeiras.
Entre os fornecedores está uma empresa luso-angolana controlada por Luís Manuel da Fonseca Nunes, uma figura influente do partido no poder em Angola, o MPLA, liderado pelo presidente João Lourenço.
Luís Nunes, atualmente governador de Luanda, passou a deter 51% da empresa em 2017, após Lourenço assumir a presidência. Desde então, a empresa angolana recebeu mais de 3 mil milhões de dólares em contratos públicos, levantando suspeitas de favorecimento e clientelismo político.
A relação entre Ex-Im e a Sun Africa também inclui parcerias de alto perfil com empresas como a Hitachi Energy, subsidiária de um conglomerado japonês com fortes ligações à China.
A Hitachi fornecerá equipamento e expertise técnica ao projeto angolano, mas críticos apontam que grande parte dos produtos da empresa são fabricados e importados da China, reforçando as preocupações sobre o alcance da presença chinesa neste tipo de empreendimentos.
O senador Mike Lee, republicano de Utah, foi um dos mais severos críticos do financiamento, acusando o Ex-Im de desperdiçar recursos americanos sem que os interesses estratégicos dos EUA sejam efetivamente atendidos.
“Não vejo ganhos estratégicos para os EUA em conceder empréstimos de bilhões para a energia verde em Angola”, afirmou o senador.
Por outro lado, o Ex-Im defendeu-se alegando que a transação faz parte do programa Transformational Exports Program, um mandato do Congresso para apoiar empresas americanas a competir com a China em mercados globais.
Segundo o banco, pelo menos duas dúzias de fabricantes e prestadores de serviço dos EUA serão subcontratados pelo projeto, embora detalhes específicos não tenham sido divulgados devido à confidencialidade.
Em meio ao debate, Reta Jo Lewis enfrenta escrutínio por seus antigos vínculos com a U.S. Heartland China Association, organização que mantém colaborações com entidades chinesas, um fator que críticos veem como problemático para alguém no seu cargo.
Até o momento, Adam Cortese, CEO da Sun Africa, não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre o papel das empresas americanas no projeto e o impacto esperado para o mercado de trabalho nos EUA.
Esta situação reflete as complexas dinâmicas da diplomacia económica americana, onde as tentativas de conter a expansão da China são muitas vezes acompanhadas por uma rede de interesses e alianças locais, nem sempre alinhados com os objetivos estratégicos dos EUA.