
O Tribunal de Comarca de Mbanza Kongo condenou ontem, terça-feira, o antigo director municipal do Serviço de Investigação Criminal (SIC) no Nzeto, superintendente Afonso Mbiyavanga Nzuzi, a sete anos de prisão efectiva, por crimes de favorecimento, abuso de poder, prevaricação e obstrução da justiça no caso conhecido como “Caso Ema”.
Devido à insuficiência de provas, o Tribunal absolveu os coarguidos Kavungo Nzuzi Júnior, ex-administrador do Hospital Municipal do Nzeto, e Conceição João Pereira, mãe da vítima e namorada do condenado, que era considerada autora do crime.
Na leitura da sentença, o juiz Walter dos Santos afirmou que ficou comprovado que o réu distorceu factos cruciais durante as investigações.
Afonso Mbiyavanga desviou os caminhos que poderiam levar à identificação dos responsáveis pela morte de Ema Pereira João Rolando, ocorrida em 19 de Junho de 2020, na vila piscatória do Nzeto.
Ema Rolando, então com 9 anos, foi encontrada pendurada em uma árvore de fruta-pinha de dois metros e meio de altura, no quintal onde vivia com a mãe, no bairro Kibonga, periferia do Nzeto. Relatos indicam que a menina foi morta por asfixia mecânica e seu corpo posteriormente pendurado na árvore.
Na noite do mesmo dia, o corpo foi retirado e levado ao Hospital Municipal do Nzeto, onde, supostamente, foram introduzidos espermatozoides no canal vaginal da menina para simular um abuso sexual.

Afonso Mbiyavanga foi também condenado a pagar uma taxa de justiça de 60 mil kwanzas. O “Caso Ema” também envolveu o tio e a mãe da menina.
De realçar que os arguidos estavam em liberdade condicional após cumprirem nove meses de prisão preventiva na unidade penitenciária do Nkiende, situada a 30 quilômetros de Mbanza Kongo.