
Mais um escândalo envolvendo abuso de poder, traição pessoal e intimidação está a abalar o Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), um órgão do Ministério do Interior.
Um inspector do SME acusa directamente o chefe do Posto de atendimento ao público instalado na Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX), superintendente de migração António da Silva André, de ter mantido um relacionamento secreto com a sua esposa, de a ter engravidado e de desencadear uma campanha de perseguição e ameaças de morte após a descoberta do caso.
A denúncia foi enviada ao director-geral do SME, José Coimbra Baptista Júnior, e ao inspector-geral do Ministério do Interior de Angola, comissário Rui de Oliveira Gomes, tendo sido igualmente partilhada com o Imparcial Press.
O denunciante, o inspector Sebastião André Boa, afecto à Direcção de Actos Migratórios, acusa o superintendente António da Silva André, chefe do posto do SME na AIPEX, de transformar um antigo relacionamento de amizade e confiança numa situação que descreve como “um verdadeiro inferno pessoal e profissional”.
Segundo o inspector, tudo começou em Outubro de 2025, quando o chefe do posto visitou a sua residência e conheceu a sua esposa, Verónica Fernando Afonso, mais conhecida por Nelma, de 27 anos. A partir desse momento, alega, os dois terão iniciado uma relação amorosa clandestina.
De acordo com o mesmo, o caso evoluiu para um escândalo ainda maior quando o superintendente terá engravidado a mulher do seu próprio subordinado, com quem o denunciante mantém uma relação e tem uma filha de três anos.
Após a descoberta do relacionamento, o inspector afirma que passou a ser alvo de perseguição sistemática no local de trabalho, com acusações infundadas, aplicação de faltas consideradas injustas, críticas constantes ao seu desempenho e humilhações públicas durante reuniões internas.
O denunciante sustenta, no documento em posse do Imparcial Press, que o chefe do posto terá ainda criado um ambiente de isolamento e hostilidade no serviço, incentivando colegas a marginalizá-lo e a espalhar rumores sobre a sua conduta profissional.
Mas as acusações não se limitam ao ambiente laboral. Sebastião André Boa afirma que passou também a receber ameaças de morte por telefone, provenientes de pessoas ligadas ao superintendente António da Silva André e à família da ex-esposa, após a separação, situação que diz ter agravado o seu estado psicológico e o sentimento de insegurança.
Conforme relata, chegou mesmo a ser contactado por um indivíduo que se identificou como responsável da Inspecção-Geral do SME, Armando Bunga, convocando-o para uma reunião na sede da instituição. Encontro que acabou por ser posteriormente cancelado sem explicações.
Na carta enviada às autoridades, o inspector pede protecção para a sua integridade física, abertura de um processo disciplinar e criminal contra o superintendente António da Silva André e a realização de uma investigação interna ao funcionamento do posto do SME na AIPEX.
O denunciante afirma ainda temer que o caso esteja a ser abafado por alegadas influências e ligações pessoais do chefe do posto na AIPEX, que, segundo ele, se apresenta como sobrinho do comissário Froz Adão Manuel, antigo director nacional de Recursos Humanos do Ministério do Interior de Angola, e como tendo proximidade com o actual director nacional de Recursos Humanos, o comissário António Pereira de Santana, o que, conforme o mesmo, explicaria a ausência de medidas imediatas por parte da instituição.
O inspector Sebastião André Boa disse encontrar-se actualmente de licença disciplinar, e diz estar disponível para colaborar com qualquer investigação e provar as denúncias que apresentou contra o seu superior hierárquico.
Até ao momento, a direcção do SME não confirmou oficialmente a abertura de qualquer processo de investigação relacionado com as graves acusações.