
O comerciante Paulino Damião Cacapa Andrade, conhecido por “Paulo”, foi morto a tiro, a 23 de Maio do ano em curso, por um grupo de indivíduos que, segundo as informações disponíveis, procurava duas mulheres suspeitas de terem furtado cerca de 10 milhões de kwanzas pertencentes a um oficial das Forças Armadas Angolanas (FAA).
O caso estará relacionado com um alegado roubo ocorrido em Novembro de 2022, na Ilha de Luanda, quando duas profissionais do sexo, identificadas apenas pelos nomes de Sara e Letícia, terão subtraído uma pasta com dinheiro de um cliente habitual, durante um convívio marcado pelo consumo de bebidas alcoólicas e drogas.
Depois do sucedido, as duas mulheres terão procurado abrigo na residência de Paulino Andrade, no município de Cacuaco. Ao tomar conhecimento de que o comerciante as teria acolhido, o militar terá começado a pressioná-lo para revelar o paradeiro das suspeitas. Estas, entretanto, já teriam abandonado o país, levando consigo os valores alegadamente furtados.
Ameaças e invasão da residência
Antes de ser assassinado, Paulino Andrade terá sido alvo de várias ameaças. Num relato atribuído ao próprio comerciante, três homens encapuzados invadiram a sua residência na madrugada de 14 de Fevereiro de 2026, quando se encontrava a dormir com a esposa.
Segundo a descrição, ao aperceber-se de um barulho na sala, Paulo levantou-se para verificar o que se passava, mas foi dominado pelos intrusos. A esposa também foi retirada do quarto, enquanto o comerciante era agredido e amarrado com as mãos atrás das costas.
O homem que aparentava liderar o grupo terá exigido informações sobre Sara e a Letícia. Paulo respondeu que a mulher se encontrava em Espanha, mas os invasores não acreditaram na explicação e continuaram as agressões. O relato refere ainda que a esposa chegou a ser abusada sexualmente na presença do marido.
Antes de abandonarem a residência, os indivíduos terão ameaçado o casal, afirmando que não o deixariam em paz enquanto não encontrassem as mesmas.
Na sequência do episódio, Paulo e a esposa terão apresentado uma queixa às autoridades judiciais. O relato indica, contudo, que, a 21 de Março de 2026, dois homens armados regressaram à residência e ameaçaram o comerciante, alegadamente por ter recorrido à Justiça.
Os indivíduos terão afirmado que o lesado, o coronel Sérgio, teria pressionado o malogrado para arquivar o processo. Perante o receio pela própria segurança, o comerciante e a esposa terão abandonado Luanda na manhã seguinte.
Apesar das ameaças anteriormente relatadas, Paulino Andrade acabou por ser morto a tiro, a 23 de Maio na província do Uíge. As autoridades angolanas estão neste momento a procuram dos suspeitos para esclarecer o crime que chocou a comunidade.