
Mais de 20 sobas do Cuanza Sul protagonizaram, sexta-feira, 5 de Dezembro, um dos maiores actos de união e resistência tradicional dos últimos anos, ao reunirem-se na sede municipal do Waku-Kungo para contestar a polémica e alegadamente ilegal exoneração do Soba Gasolina.
O afastamento do líder tradicional ocorreu depois deste ter recebido, durante um óbito tradicional, o deputado da UNITA, Armando Kaquepa, facto que, segundo vários líderes comunitários, não viola qualquer norma nem constitui interferência político-partidária.
De acordo com informações apuradas pelo Imparcial Press e confirmadas por fontes presentes no local, o grupo de sobas havia comunicado previamente à administração municipal e à Direção Provincial da Cultura a intenção de realizar o encontro.
No entanto, o administrador municipal do Waku-Kungo, Fonseca Miguel Canga, tentou impedir a reunião, alegando falta de autorização superior, forçando as autoridades tradicionais a permanecerem mais de uma hora à espera.
A situação só foi desbloqueada após a intervenção do governador provincial, que esclareceu que nenhuma administração municipal tem competência legal para exonerar uma autoridade tradicional, reforçando que o poder tradicional é regido por normas próprias e que decisões sobre exonerações não dependem de estruturas administrativas.
O posicionamento do governador foi interpretado como uma desautorização direta ao ato do administrador municipal, fortalecendo ainda mais o sentimento de injustiça entre os sobas.
Com o impasse ultrapassado, o encontro avançou e culminou na elaboração de um comunicado oficial no qual os sobas manifestam firme repúdio à atuação do administrador do Waku-Kungo.
No documento, os líderes tradicionais denunciam ingerência política, desrespeito às práticas culturais e espirituais da comunidade e violação das normas que regulam o poder tradicional em Angola, além de uma clara tentativa de manipulação política das autoridades locais.
A posição final das autoridades tradicionais foi unânime: o poder ancestral do Cuanza Sul permanece unido, organizado e determinado a reagir a decisões consideradas abusivas ou atentatórias à sua autonomia.
Até ao momento, o administrador municipal do Waku-Kungo não prestou qualquer reação pública ao comunicado dos sobas.
Por: Ngola Ntuady Kimbanda Nvita