Cubango: Militantes do MPLA processados após denunciarem governador
Cubango: Militantes do MPLA processados após denunciarem governador
jose martins

O Comité Provincial do MPLA no Cubango, através da sua Comissão de Disciplina, Ética e Auditoria (CDEA), instaurou processos disciplinares contra quatro militantes acusados de ligação à denúncia de alegadas práticas de nepotismo e má gestão atribuídas ao governador e primeiro-secretário provincial, José Martins.

Conforme as notificações datadas de 11 de Setembro de 2025, os militantes Carlos Cangandzi, Augusto Miguel Ndala, Costantino Ndala e Pascoal Cambinda foram intimados pelo instrutor processual Augusto Chilunda a comparecer ontem, 17, e prestar declarações no âmbito do processo.

A medida surge sete meses após a entrega de uma denúncia contra o governador José Martins, que o acusava de nepotismo, favorecimento empresarial e uso abusivo de recursos públicos.

Fontes internas do MPLA no Cubango classificam a medida como um acto de perseguição política e um claro desvio de prioridades.

O documento, subscrito por “militantes filiados em vários CAP do MPLA no Cubango”, denunciava a nomeação de nove administradores municipais com laços familiares diretos com o governador, incluindo primos, sobrinhos e um cunhado, uma prática que, segundo os signatários, viola a Lei da Probidade Pública.

A carta denúncia, em posse do Imparcial Press, citava o alegado favorecimento de empresas privadas associadas a familiares, como a Dokalvis Construções e a Ernekaqueque Lda., acusadas de receber contratos públicos sem execução comprovada dos serviços.

A queixa, apresentada em Fevereiro de 2025, instava a CDEA a realizar uma auditoria independente às empresas mencionadas e alertava que a gestão de José Martins poderia comprometer a credibilidade do partido em futuros desafios eleitorais.

No entanto, em vez de abrir um inquérito às graves acusações contra o governador, a Comissão optou por investigar os supostos denunciantes, movimento que críticos consideram uma tentativa de silenciar vozes internas e proteger a liderança provincial.

“O órgão disciplinar que devia garantir ética e transparência tornou-se instrumento de intimidação”, lamentou uma fonte partidária ouvida sob anonimato.

O caso levanta questões de transparência e responsabilização dentro do MPLA, sobretudo pela ausência de resposta institucional às alegações de corrupção.

Militantes locais questionam por que razão uma denúncia pormenorizada, com nomes e dados concretos, foi arquivada, enquanto se avança rapidamente para punir membros que ousaram expor eventuais irregularidades.

A situação evidencia um paradoxo: a CDEA, criada para assegurar disciplina e ética no seio do partido, é agora apontada como mecanismo de repressão interna, deixando por investigar acusações sérias de gestão danosa.

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