
Uma semana após o trágico suicídio do subcomissário de Migração Zaqueu Videira João Luís, conhecido por “Bebé Zaza”, ocorrido no passado dia 12 de Setembro, no edifício sede do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), em Luanda, a direcção do órgão anunciou novas medidas de segurança.
Através da circular nº 06, o director-geral do SME, José Coimbra Baptista Júnior, determinou a proibição da entrada de armas de fogo e outros meios letais em todas as instalações deste órgão do Ministério do Interior.
A medida abrange todos os cidadãos, incluindo elementos das Forças de Defesa e Segurança, visitantes, prestadores de serviços e utentes em geral, excetuando os casos expressamente autorizados por lei.
Segundo a nota, a decisão visa “garantir a segurança de pessoas e bens” e assegurar “um ambiente de trabalho e atendimento livre de riscos”. O cumprimento da ordem ficará a cargo do Departamento de Segurança Institucional, que terá de impedir o acesso a quem não observar a determinação.
Pressões internas e acusações ao diretor
Apesar da adoção desta medida, a morte do subcomissário “Bebé Zaza” continua a levantar fortes tensões dentro do SME. Efectivos da instituição exigem a exoneração imediata de José Coimbra Baptista Júnior e pedem à Procuradoria-Geral da República (PGR) a abertura de uma investigação independente.
Segundo fontes internas citadas pelo Imparcial Press, o subcomissário terá colocado termo à vida minutos após uma reunião em que foi exposto e acusado de corrupção, perante dezenas de colegas. Durante a sessão, foi reproduzido um áudio que o implicaria em atos ilícitos, acompanhado de alegadas humilhações públicas proferidas pelo diretor. Pouco depois, retirou-se para o seu gabinete, onde disparou contra si mesmo.
Efectivos denunciam ainda que “Bebé Zaza” vinha sendo alvo de pressões constantes, tortura psicológica e assédio moral, imputando ao diretor práticas de intimidação, escutas ilegais, difamação e até a “autoria moral de homicídio culposo”.
Com uma longa carreira ao serviço do Estado, o subcomissário é lembrado como um oficial dedicado e respeitado, pai de família e profissional de referência. A sua morte abalou profundamente o SME e expôs, segundo diversas fontes, um clima de medo e perseguição que estaria a marcar a gestão da atual direcção.