
A recém exoneração de Paulo Jorge Ringote do cargo de director-geral do Instituto de Supervisão de Jogos (ISJ) pela ministra das Finanças está intimamente ligada à relação que ele manteve com a empresa Mota, Tavares & Barros SA, responsável pela marca Elephant Bet, que atua vários países africanos.
Segundo as informações, a parceria entre Paulo Ringote e a referida empresa remonta desde 2021, quando o ex-director foi citado como beneficiário de uma contrapartida mensal de 13 milhões de kwanzas.
Esse valor aumentou consideravelmente em 2023, quando a empresa viu suas operações crescerem. Nesse ano, a empresa passou a declarar números semelhantes aos do ano anterior, mas com a diferença de que isso envolvia mais “benefícios, fuga ao fisco e lavagem de dinheiro”, levando ao aumento do suborno para o dobro do valor anterior.
Em 2024, Ringote estreitou ainda mais os laços com o empresário francês Antoine Pasquin Yvon Robert Napoleon Bartoli, com o objetivo de expandir o negócio das lotarias, o que levou à criação de uma empresa offshore que seria parte fundamental dessa operação.
Com isso, a Mota, Tavares & Barros SA passou a declarar faturamento reduzido, o que facilitava a fuga ao fisco e a lavagem de dinheiro.
Em Luanda, há um entendimento generalizado de que, sendo a Mota, Tavares & Barros SA a maior entidade arrecadadora do sector de jogos em Angola, a empresa deveria ter sistemas de reporte mais transparentes e seguros. No entanto, ela utiliza um sistema denominado Koral, que fornece apenas dados limitados ao Instituto de Supervisão de Jogos (ISJ), relativos às vendas e receitas das atividades online.
A maior parte da operação, no entanto, envolve apostas desportivas físicas, que são realizadas por mais de 8.000 agentes espalhados por Luanda.
Os valores das apostas são recolhidos por mais de 60 motoqueiros, sem que esses valores sejam depositados em contas bancárias, com uma média diária de entre 80 milhões e 150 milhões de kwanzas.
Em Maio de 2024, o Ministério das Finanças anunciou que a Mota Tavares & Jogos foi a vencedora do Concurso Público para a concessão dos jogos sociais – Lotaria Nacional e Instantânea, Totoloto e Totobola – após um processo de análise e avaliação dos documentos de proposta apresentados ao Instituto de Supervisão de Jogos.
No entanto, por meio da Mota Tavares, uma empresa offshore foi criada, na qual o ex-diretor-geral detinha pelo menos 30% das quotas. Isso configura uma possível violação de normas e levanta sérias questões sobre a integridade do processo.