
O rosto por trás de algumas das maiores movimentações culturais de Angola, Henrique Miguel, mais conhecido por “Riquinho”, foi distinguido com a medalha comemorativa dos 50 anos da Independência Nacional, na classe “Paz e Desenvolvimento”, um gesto do Estado que o empresário descreveu como simbólico e transformador.
Para Riquinho, segundo disse em declarações à imprensa, não foi um reconhecimento qualquer, pois a distinção ultrapassa a barreira do mérito pessoal.
“É a primeira vez que sou homenageado dessa forma. Este gesto do Executivo não é apenas para mim. É para todos os que, durante anos, sacrificaram dias e noites para manter viva a chama da cultura”, afirmou, com emoção visível.
Promotor de eventos, produtor, empresário e figura incontornável da cena cultural angolana desde os anos 1980, Riquinho dedicou a homenagem aos artistas e agentes culturais que ajudou a projectar.
Referiu-se com orgulho a nomes como Matias Damásio, C4 Pedro, Paulo Flores, Yuri da Cunha e Waldemar Bastos — artistas que hoje ocupam os grandes palcos internacionais, mas que, segundo o homenageado, “nasceram de um sonho colectivo iniciado com muito suor e poucos meios”.
“Costumo dizer que cultura é resistência. Muitos duvidaram de que Angola pudesse ter uma indústria do entretenimento estruturada. Hoje vemos pavilhões cheios, discos a correr o mundo e músicos que são embaixadores da nossa alma. Isso, para mim, vale mais que qualquer fortuna”, frisou.
Riquinho revelou que o prémio chegou num momento de reflexão pessoal. “Planeava reformar-me aos 60 anos. Mas esta medalha mudou algo em mim. Se Deus permitir, quero continuar até aos 70, 80… enquanto houver força e vontade de fazer mais pela cultura”, disse.
Trajectória marcante
Nascido a 27 de Janeiro de 1964, em Luanda, Henrique Miguel iniciou-se no mundo dos eventos no final da década de 1980.
A sua primeira festa de passagem de ano, em 1989, ainda é recordada como um marco: três mil pessoas reunidas na Fortaleza de São Miguel, numa noite que selaria o início de uma carreira de impacto.
Além dos palcos, o empresário investiu em marcas de retalho como Casa Car, Casa Lar e Casa Real, e fundou jornais e revistas, sempre com o olhar voltado para o público angolano.
No campo social, protagonizou gestos de grande simbolismo. Em 2007, ofereceu 30 viaturas à Selecção Nacional de Basquetebol, em reconhecimento pela conquista do título africano, gesto que consolidou a sua imagem como benfeitor e patriota.
Reconhecimento nacional
A cerimónia que homenageou Henrique Miguel decorreu no âmbito das celebrações do 50.º aniversário da Independência Nacional, efeméride a ser assinalada a 11 de Novembro do corrente ano.
Nesta etapa, foram distinguidos 670 cidadãos, dos quais 483 na classe “Paz e Desenvolvimento” e 187 na classe “Independência”, em cerimónias organizadas faseadamente ao longo do ano.
in Angop