
Dois antigos funcionários da Sociedade de Gestão Aeroportuária (SGA) acusam o advogado Mariano dos Santos Lucas de se apropriar de mais de 60 milhões de kwanzas que lhes eram devidos a título de indemnização, após terem vencido um processo laboral no Tribunal da Comarca de Belas.
Os queixosos, Manuel Tombassi José e José Paulo Afonso, afirmam que o advogado recebeu cerca de 35 milhões de kwanzas destinados a cada um deles, mas transferiu apenas 950 mil kwanzas para Manuel Tombassi José e 150 mil kwanzas para José Paulo Afonso.
Segundo Manuel Tombassi José, o caso remonta a Dezembro de 2020, quando ambos trabalhavam no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro. Os dois funcionários dizem ter sido acusados de extorsão depois de receberem 20 euros de um passageiro proveniente do Dubai, identificado como João Rodrigues, a quem prestaram assistência durante o serviço.
Um mês depois, afirma, foram alvo de um processo disciplinar instaurado pelo gabinete jurídico da SGA, que resultou na redução de 10% dos salários durante três meses.
Por considerarem a sanção injusta, recorreram ao Tribunal da Comarca de Belas. De acordo com os dois ex-funcionários, o tribunal deu-lhes razão, determinando a sua reintegração e o pagamento dos salários e demais valores em atraso.
Como a empresa não terá cumprido de imediato a decisão judicial, constituíram um mandatário para dar seguimento ao processo, tendo posteriormente contratado Mariano dos Santos Lucas.
“Ele recebeu o dinheiro da nossa indemnização e não nos entregou os valores. Ficou com praticamente todo o dinheiro”, afirmou Manuel Tombassi José.
O queixoso diz que tentou resolver o caso de forma extrajudicial, incluindo uma deslocação à residência do advogado, em Luanda. Segundo o seu relato, ambos acabaram por dirigir-se a uma esquadra da Polícia Nacional, onde apresentaram uma participação, que, afirma, não teve seguimento.
Manuel Tombassi José pede agora a intervenção da Ordem dos Advogados de Angola e das autoridades judiciais para recuperar os valores que considera terem sido recebidos indevidamente pelo seu antigo mandatário.
“Esse dinheiro era para sustentar a minha família e recomeçar a vida. Estou desempregado e preciso que a Justiça actue”, declarou.
Contactado para exercer o direito ao contraditório, Mariano dos Santos Lucas recusou comentar as acusações.
Segundo o Na Mira do Crime, o advogado limitou-se a dizer que não pretendia falar sobre o assunto e acrescentou: “Se quiserem falar sobre este assunto, eu não quero. Aqui eu imponho as regras. Ou então, escrevam a matéria como bem quiserem.”
com/NMC