Efectivos do SME culpam director-geral pelo suicídio do subcomissário “Bebé Zaza” e pedem a sua exoneração
Efectivos do SME culpam director-geral pelo suicídio do subcomissário "Bebé Zaza" e pedem a sua exoneração
Homem SME

Efectivos do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) pedem a exoneração imediata do diretor-geral do órgão, José Coimbra Baptista Jr., e exigem que a Procuradoria-Geral da República abra uma investigação à morte do subcomissário de Migração Zaqueu Videira João Luís, conhecido por Bebé Zaza”, que se suicidou no passado dia 12 de setembro de 2025, no edifício sede do SME, em Luanda.

Os mesmos acusam o dirigente de ser responsável por um ambiente de intimidação dentro do órgão e imputam-lhe práticas de assédio moral, tortura psicológica, escutas ilegais, difamação e até “autoria moral de homicídio culposo”.

Segundo relatos de fontes internas do Imparcial Press, subcomissário “Bebé Zaza” retirou a própria vida logo após uma reunião em que foi publicamente exposto e acusado de corrupção.

Durante a sessão, foi apresentado um áudio que o implicaria em atos ilícitos, perante dezenas de colegas, seguido de palavras humilhantes proferidas por Coimbra Baptista. Pouco depois, o subcomissário dirigiu-se ao seu gabinete e pôs termo à vida.

Ao Imparcial Press, os efetivos denunciam que “Bebé Zaza” vinha sendo vítima de pressões constantes e de tortura psicológica. O estilo de gestão de José Coimbra Baptista Jr. é descrito como autoritário e marcado pelo abuso de poder.

Com décadas de serviço no Estado, o subcomissário “Bebé Zaza” é lembrado como um oficial dedicado, pai de família e colega respeitado. A sua morte abalou profundamente a corporação e expôs, segundo várias fontes, o clima de medo e perseguição que reina no SME.

As críticas não são novas. O dirigente já foi acusado de afastar mais de 30 comissários experientes, substituindo-os por quadros jovens, inexperientes e considerados “incapazes de exercer uma abordagem crítica”.

Entre os afastados está o ex-director da Inspeção do SME, Comissário Agapito David, alegadamente exonerado por recusar ordens ilegais do atual diretor-geral.

O silêncio do ministro do Interior, Manuel Homem, também gera indignação no seio dos efectivos. Pois, no dia em que a morte de Zaqueu se tornou pública, o ministro preferiu marcar presença em atividades protocolares numa escola de aspirantes a cadetes, divulgando fotografias em clima descontraído.

A atitude foi classificada por críticos como sinal de “insensibilidade” e “falta de liderança” perante uma crise institucional grave.

Efectivos do SME pedem igualmente a intervenção da Ordem dos Advogados de Angola, para disponibilizar apoio jurídico à família e permitir a abertura de uma ação contra o atual director-geral.

Enquanto isso, multiplicam-se manifestações de solidariedade com a família de Zaqueu, incluindo pedidos de apoio financeiro.

Alguns efectivos defendem ainda que, caso não haja responsabilização interna, o caso deve ser levado a instâncias internacionais, como o Tribunal Africano dos Direitos Humanos, a Amnistia Internacional ou o Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido