Eleições 2027: Isabel dos Santos diz que não apoiará o MPLA se João Lourenço continuar na liderança
Eleições 2027: Isabel dos Santos diz que não apoiará o MPLA se João Lourenço continuar na liderança
isabel santos

A empresária angolana Isabel dos Santos afirmou que não apoiará o MPLA caso João Lourenço seja reconduzido à presidência do partido no IX Congresso Ordinário, marcado para os dias 9 e 10 de Dezembro, defendendo a necessidade de uma nova liderança para conduzir os destinos de Angola após as eleições gerais de 2027.

As declarações foram feitas numa entrevista à Rádio Essencial, na qual a filha do antigo Presidente José Eduardo dos Santos manifestou-se crítica em relação ao actual ciclo de governação, considerando que o país atravessa um período de regressão económica e social.

“Mesmo que seja o MPLA o partido vencedor, espero que seja outro governo e outra liderança”, afirmou Isabel dos Santos, acrescentando que se sente “decepcionada” com os resultados alcançados durante os quase dez anos de mandato de João Lourenço.

A empresária apontou o desemprego, o aumento da pobreza, a desvalorização do kwanza e a perda do poder de compra das famílias como alguns dos principais indicadores do que considera ser um desempenho abaixo das expectativas.

“Esperava mais e melhor para o meu país”, declarou, sustentando que Angola “não atingiu o patamar em que deveria estar”.

Na entrevista, Isabel dos Santos criticou igualmente a política fiscal adoptada pelas autoridades angolanas, considerando que a carga tributária e os procedimentos administrativos têm dificultado a actividade empresarial.

Segundo a empresária, os impostos elevados, a burocracia e as frequentes inspecções às empresas constituem factores que desincentivam o investimento privado e limitam o crescimento económico.

A antiga presidente do conselho de administração da Sonangol voltou também a contestar os processos judiciais que enfrenta em Angola, onde é visada em vários casos relacionados com alegada gestão danosa e utilização indevida de fundos públicos.

Isabel dos Santos classificou as acusações como “falsas” e associou os processos a alegadas disputas internas no MPLA e a motivações políticas ligadas ao facto de ser filha do antigo Chefe de Estado.

“Estou a ser acusada de coisas que não existiram, que não aconteceram”, afirmou.

A empresária, que reside fora de Angola desde o início da presidência de João Lourenço, reiterou não reunir condições para regressar ao país, alegando ser alvo de perseguição política e judicial.

Apesar disso, garantiu manter a ligação ao país e afirmou que não pretende abandonar o envolvimento nos assuntos nacionais. “Não vou desistir de Angola”, declarou.

As declarações surgem numa altura em que o MPLA se prepara para o IX Congresso Ordinário, encontro que deverá definir a liderança do partido para os próximos anos e antecede a preparação das eleições gerais previstas para 2027.

De realçar que a subcomissão de candidaturas da Comissão Nacional Preparatória do IX Congresso Ordinário do MPLA validou a candidatura de João Lourenço à presidência do partido, apesar de ter identificado 211 subscrições inválidas entre as mais de 11 mil assinaturas apresentadas pelo mandatário da candidatura.

O anúncio foi feito na última sexta-feira pelo coordenador da subcomissão de candidaturas, Job Capapinha, durante uma conferência de imprensa realizada na sede nacional do MPLA, em Luanda.

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