Eleições nos Estados Unidos de América – Domingos Mbote Alberto
Eleições nos Estados Unidos de América - Domingos Mbote Alberto
EUA

Os norte-americanos vão às urnas em Novembro próximo para elegerem o quadragésimo sétimo Presidente do país. Joe Biden, pelos democratas, e Donald Trump, pelos republicanos, disputam o poder Executivo da maior potência mundial.

No primeiro debate, realizado no passado mês de Junho, numerosas empresas de pesquisa de opinião concluíram que o candidato republicano saiu-se melhor do que o democrata e actual Presidente do país, visivelmente fragilizado fisicamente, por razões que o mesmo, a equipa que o acompanham refutam.

Em proporção diferente das eleições realizadas na Europa Ocidental, o pleito eleitoral nos Estados Unidos de América ganha contornos de um assunto mundial, razão pela qual domina a política internacional.

Tal facto verifica-se, também, no contexto dos países do chamado “Sul-Global”. Nestes, a opinião pública e a população, de um modo geral, acompanham as eleições norte-americanas com alguma expectativa, apresentando posições e apoios distintos aos candidatos.

As eleições de Novembro próximo não fogem à regra. Desta vez, no entanto, algumas sondagens apontam para maior tendência de voto para o candidato republicano, entendido pela generalidade da população como a melhor opção para os desafios que a maior potência económica e militar mundial enfrenta.

Enquanto na Presidência de Barack Obama (2009-2017) se verificou, por exemplo, a presença de intervenção militar no Norte de África e com consequências, nomeadamente no domínio das migrações (para não falar dos vários problemas sociais, económicos e políticos provocados pela Primavera Árabe), durante o consulado de Trump (2017-2021) assistiu-se à ausência de intervenções militares na chamada periferia do sistema internacional.

Tal atitude deu ao ex-Presidente norte-americano e actual candidato à Casa Branca maior popularidade e aceitação no seio das populações dos países do Sul-Global, segundo determinados sectores.

Após a sua derrota e a sua substituição no cargo de Presidente pelo Democrata Joe Biden, a situação internacional alterou-se de forma significativa, primeiro com a invasão da Rússia à Ucrânia, em 2022, segundo com os ataques terroristas de Outubro de 2023 em Israel, conduzido pelo Hamas, uma organização considerada terrorista pelos Estados Unidos e União Europeia, que governa a Faixa de Gaza desde 2007.

Com repercussões à escala global, estes temas dominaram o primeiro debate eleitoral nos Estados, tendo o candidato republicano garantido acabar com os conflitos caso for eleito Presidente dos Estados Unidos.

Trump, embora tenha os problemas judiciais que ainda o perseguem, goza de um largo apoio nos Estados Unidos, tem recebido apoios significativos no seio das populações do “Sul-Global”, cuja relação com o actual Presidente e candidato à reeleição agastou-se por causa da sua gestão nos conflitos Rússia-Ucrânia e Israel-Hamas/Palestina.

Se é certo que a popularidade do Presidente Biden é muito baixa no chamado “Sul-Global”, o mesmo não se verifica no contexto da Europa Ocidental, onde a população considera ser o melhor intérprete dos seus valores: democracia, direitos humanos e liberdade de expressão.

Coloca-se, no entanto, a seguinte questão: a paz e a estabilidade político-social devem ser apenas para alguns ou para todos?

Defende-se, todavia, um mundo seguro é melhor para todos, cujo histórico dos últimos 15 anos atribuem a Donald Trump maiores garantias de proporcionar paz e ordem mundiais.

*Analista político e investigador não doutorado do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa

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