Em memória do antigo Presidente José Eduardo dos Santos – Jaime V. Azulay
Em memória do antigo Presidente José Eduardo dos Santos - Jaime V. Azulay
Jes-morto

Hoje fez dois anos que faleceu o presidente José Eduardo dos Santos. Esperei 20 horas deste dia 8 de Julho de 2024, para analisar as reações da nação angolana, nas suas variadas franjas para começarmos a avaliar o seu verdadeiro legado. Salvo raras excepções, encontrei um manto de puto cinismo e ingratidão aterradora a cobrir a nação neste dia.

O ensurdecedor silêncio de muitos governantes, ou dos todos os que participaram do grande banquete (assim chamado pela suspeita TPA), que os conhecemos bem e um-a-um, é o maior Atestado de Insanidade Mental, a que a nossa sociedade angolana está submetida, sem terapia que a valha nos próximos tempos.

Uns até réplicas de suas estátuas, como exemplo de Arquitecto do bem-comum reclamaram. Hoje, de picareta em punho, mas já sem espumante e sem caldeirada das maratonas, derrubam a estátua do chefe amigo, porque outro chefe chegou. Assim, não!

Infelizmente , sentimos a nossa querida Angola a sucumbir enquanto esperança Sagrada, ou como porvir de um povo heróico e generoso, que merece e merecia infinitamente mais do que fome e negação dos seus direitos e garantias fundamentais.

Quando os líderes tem medo da sua própria história, o que há mais a dizer? Ministros nomeados por decretos de JES, estão aí, como se nunca tivessem ouvido o seu nome. O que temeis, senhores ricos e poderosos? Será que não farão o mesmo quando o disco mudar e tocar a outra música?

Espanta ver generais graduados por ordens de patenteamento do antigo comandante-em-Chefe, pavonearem-se com os garbosos galões galões vermelhos das FAA. Muitos, incluindo oriundos da UNiTA, acumularam desmesuradamente dinheiro, empurraram para o bolso patrimônio incalculável e agora com cara de pau, vem renegar a heróica trajectória vivida desde 1979, quando José Eduardo dos Santos substituiu o saudoso Presidente Agostinho Neto na condução do nosso destino colectivo. Será que JES sempre roubou?

Se sofrem de amnésia, eu tenho a paciência de vos recordar. Desde aquele inesquecível dia de 2979, passaram 38 anos, que correspondem a cerca de 456 meses, 13,870 dias, e 332,880 horas.

Hoje muitos fingem que não conheceram JES. E os que fingem fidelidade ao actual, são os mesmos que foram os algozes do seu longo mandato. São eles que, em seu nome perseguiram e cometeram ignóbeis crimes e injustiças algumas contra os seus próprios camaradas.

Para essa gente sem escrúpulos, esquecer ostensivamente JES, hoje serve como um visto de entrada para o reino da luxúria, da vivência na ostentação, do orgulho doentio que faz desprezar os próprios camaradas da Longa Caminhada. Atingimos o macabro processo de Vênus, de comer despudoradamente os seus próprios filhos.

Que mórbida ganância vos tolda o ser é, nem sequer vos deixa ver, que a corrupção e a falta de ética e responsabilidade no exercício de funções de estado, podem levar à auto-destruição de um sistema político bem intencionado.

As consequências negativas das acções tomadas por mera vingança, acabam depois por reverter contra aqueles que as praticaram. Precisamos simplesmente de ser justos, quando julgamos as acções de outra pessoa.

Porque sou de boa família e professo com responsabilidade individual o sacerdócio de uma profissão, cuja essência é interdita aos cinicos e que procura respeitar o que resta da verdade no jornalismo.

Em memória do presidente JES que liderou este país por 38 anos, creio ser importante reconhecermos e recordarmos o legado deixado, nos quais se enquadram, tanto os seus feitos positivos, quanto os erros cometidos, ao longo do seu extenso mandato.

Angola sabe o quanto fui crítico aos resultados dos seus últimos anos como presidente de Angola, sobretudo com a implementação das suas políticas, enquanto Titular do Poder Executivo e que ditaram o descalabro do nosso país. Refiro-me, sobretudo, das tentativas de legitimar a absurda Acumulação Primitiva de Capital, como via de desenvolvimento e de criação de desmerecida riqueza nacional para uma casta impreparada.

Honestamente, considero ser válido lembrar que, apesar dos desafios e das críticas enfrentados, JES no seu consulado conseguiu preservar alguns valores reconhecidos como universais, como o fim da pena de morte e assim deixar um impacto duradouro na história do nosso país e na história universal.

Independentemente de respeitáveis opiniões divergentes, quanto ao valor do seu legado, é importante honrar a sua memória, com respeito e objectividade, reconhecendo a complexidade e o contexto em que desempenhou o seu papel, como líder e o impacto que teve na história do seu/nosso país e do mundo.

Saibamos lidar com o genuíno perdão, em relação a quem muito falhou, mas teve a hombridade de assumir no silêncio os erros de todo elenco, cujos mesmos por ainda andam trocando de gravatas de seda e relógios caros em cada viagem do novo chefe.

JES deixou magoados, mas como legado deixou Paz, pão fresco e leite e peixe e carne nas mesas das nossas casas.

Que a alma do nosso ex-Presidente José Eduardo dos Santos descanse em Paz e Angola prospere na comunhão de todos os seus filhos!

*Jornalista e jurista

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