Empresa Geoangol planeia despedimento coletivo de trabalhadores
Empresa Geoangol planeia despedimento coletivo de trabalhadores
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A Geoangol, empresa subsidiária da Endiama, com 75% de participação estatal, está no centro de uma controvérsia após denúncias de que a nova diretora-geral, Enga Jaimara, pretende despedir mais de 30 trabalhadores, sem cumprir os trâmites legais previstos na Lei Geral de Trabalho.

Segundo fontes próximas à empresa, Jaimara justificou os despedimentos alegando dificuldades financeiras e elaborou uma lista de trabalhadores a ser submetida à Inspecção Geral do Trabalho (IGT).

No entanto, os trabalhadores contestam a decisão, acusando a gestora de agir sem observar a Lei Geral do Trabalho e sem consultar a Endiama, empresa tutelar.

Acontece que o plano de despedimentos contrasta com as recentes declarações do presidente do Conselho de Administração da Endiama, Ganga Júnior.

Durante as celebrações do Dia da Endiama, a 14 de Janeiro, Ganga Júnior destacou que o grupo não realiza despedimentos arbitrários, mesmo em cenários de dificuldades financeiras.

Na ocasião, o mesmo citou como exemplo o caso do Projecto Lueji, que mantém o pagamento a 300 funcionários, embora a viabilidade da mina ainda não tenha sido determinada.

Neste contexto, os trabalhadores empresa da Geoangol consideram as acções da nova directora uma afronta às políticas defendidas pela Endiama.

“Estão a descartar trabalhadores com anos de dedicação à empresa, sem qualquer justificação legal ou processo disciplinar prévio. É uma atitude desumana e contrária ao que o PCA afirmou publicamente”, afirmou um trabalhador sob anonimato.

Falta de planeamento

Os denunciantes também questionam a ausência de uma estratégia clara para a recuperação da empresa. Para eles, o foco exclusivo nos despedimentos revela uma gestão insensível e sem plano de revitalização.

“Em vez de apresentar um projecto sustentável para dinamizar a empresa, a prioridade parece ser apenas reduzir custos às custas dos trabalhadores”, criticou um funcionário.

Os trabalhadores apelam ao Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, bem como à Endiama, para intervirem no caso e garantirem o cumprimento das normas laborais, salientando que a Lei Geral do Trabalho, no capítulo sobre suspensão e extinção de contratos, prevê procedimentos rigorosos que não estão a ser respeitados.

Histórico da nova directora

Enga Jaimara, nomeada directora-geral da empresa Geoangol no início de Janeiro, substituiu a anterior gestora, Enga Ndjamila.

A mesma já liderou a Alfa 5, outra subsidiária da Endiama, onde também enfrentou críticas por práticas de gestão consideradas conflituosas e por alegados atropelos às normas laborais.

Os funcionários temem que a sua gestão repita os mesmos problemas, aumentando o ambiente de incerteza e desconfiança na Geoangol.

“Estamos a falar de pais e mães de família, pessoas com responsabilidades financeiras e anos de serviço. Este tipo de ação só traz instabilidade social e económica”, alertou um funcionário.

Criada em 2013, a Geoangol é uma empresa especializada em sondagem geológica, análises laboratoriais e estudos ambientais. Localizada em Viana, a empresa desempenha um papel estratégico no sector mineiro angolano.

Apesar disso, enfrenta dificuldades operacionais, que, segundo os trabalhadores, não justificam medidas drásticas como o despedimento em massa.

Até o momento, as tentativas de contacto com a direcção da Geoangol para obter um contraditório não tiveram sucesso. Mas, os trabalhadores esperam uma intervenção das autoridades competentes para evitar o desfecho que consideram injusto e ilegal.

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