
A equipa de apoio à pré-candidatura do general Higino Carneiro à presidência do MPLA denunciou alegadas intimidações, vigilância e a apreensão forçada de documentação de apoio ao candidato durante uma deslocação às províncias da Lunda-Sul, Moxico e Lunda-Norte, no âmbito da recolha de subscrições para o IX Congresso Ordinário do partido, apurou o Imparcial Press.
Segundo um relato atribuído a membros da estrutura de apoio do antigo governador de Luanda, o incidente terá ocorrido na noite de quinta-feira, nos arredores da cidade do Saurimo, quando uma equipa regressava a Luanda após concluir uma missão de recolha de declarações de apoio.
De acordo com a versão apresentada, o grupo afirma ter reunido cerca de 873 declarações de apoio à candidatura de Higino Carneiro durante a permanência na região leste do país.
Os apoiantes alegam que, ao longo dos trabalhos, foram alvo de vigilância permanente e que várias pessoas que subscreveram as declarações terão recebido ameaças e advertências para abandonarem o apoio ao pré-candidato.
Curiosamente quando a equipa deixava o município do Saurimo, dois veículos terão interceptado a viatura em que seguiam os colaboradores. Os ocupantes, descritos como indivíduos armados com espingardas AKM e pistolas, teriam ordenado a paragem do veículo e realizado uma revista.
Os denunciantes sustentam que os homens não apresentaram qualquer mandado judicial ou ordem formal de busca, tendo alegadamente apreendido toda a documentação recolhida, dois computadores portáteis, telemóveis, pastas contendo documentos pessoais e cartões bancários.
A mesma versão refere que alguns membros da equipa terão sido agredidos fisicamente durante a operação e ameaçados para cessarem as atividades ligadas à recolha de subscrições.
Até ao momento, não existe qualquer pronunciamento oficial das autoridades policiais, dos órgãos de segurança ou da direção do MPLA sobre as alegações.
Acusações somam-se a denúncias anteriores
O episódio surge num contexto de crescente tensão em torno do processo preparatório do IX Congresso Ordinário do MPLA, marcado para dezembro deste ano.
Desde que manifestou a intenção de concorrer à liderança do partido, Higino Carneiro e a sua equipa têm denunciado alegadas irregularidades no processo interno de recolha e validação de subscrições.
Entre as reclamações já tornadas públicas constam acusações de que dirigentes partidários em várias províncias terão recebido orientações para dificultar a validação de apoios à sua candidatura, bem como alegados obstáculos burocráticos relacionados com a regularização das quotas dos militantes.
A equipa do antigo ministro das Obras Públicas também questionou a realização de marchas e iniciativas de apoio ao actual presidente do MPLA, João Lourenço, considerando que tais ações poderão configurar desequilíbrios no processo eleitoral interno.
Nas últimas semanas, o mandatário da candidatura de Higino Carneiro terá igualmente solicitado uma auditoria independente aos ficheiros de subscrições entregues pela candidatura de João Lourenço à Subcomissão de Candidaturas.
Contudo, a equipa de Higino Carneiro rejeitou recentemente informações divulgadas por alguns órgãos de comunicação social segundo as quais teria avançado formalmente com um pedido de impugnação da candidatura do atual líder do MPLA, classificando essas notícias como falsas.
Processo eleitoral interno entra em fase decisiva
O MPLA encontra-se atualmente na fase de validação das candidaturas ao cargo de presidente do partido.
A candidatura de João Lourenço já foi validada pela Subcomissão de Candidaturas, que confirmou mais de 10 mil subscrições válidas, acima das cinco mil exigidas pelos estatutos.
O processo eleitoral interno decorre até outubro, seguindo-se a campanha eleitoral entre novembro e início de dezembro, antes da realização do congresso que escolherá a liderança do partido para o próximo mandato.