Equipa médica suspensa no Hospital Geral do Bengo após morte de bebé de cinco meses
Equipa médica suspensa no Hospital Geral do Bengo após morte de bebé de cinco meses
zavan

Uma equipa médica do Hospital Geral do Bengo “Reverendo Guilherme Pereira Inglês” foi suspensa preventivamente após a morte de um bebé de cinco meses, identificado por Zavan João, ocorrida na sequência de complicações durante um procedimento preparatório para uma circuncisão, caso que está a gerar forte comoção pública e suspeitas de negligência médica.

Na sequência do sucedido, uma delegação do Ministério da Saúde, chefiada pelo secretário de Estado para a Área Hospitalar, Leonardo Europeu Inocêncio, deslocou-se esta segunda-feira, 23 de Fevereiro, à unidade hospitalar, acompanhada pelo vice-governador do Bengo para o Sector Político, Social e Económico, José Francisco Bartolomeu Pedro, com o objectivo de averiguar os factos que têm sido amplamente divulgados nas redes sociais.

Em declarações à imprensa, o director-geral do hospital, Geovani João Malenga, confirmou que a criança deu entrada no hospital no dia 19 de Fevereiro para um procedimento de circuncisão.

Segundo explicou, durante a fase preparatória, no momento da administração da anestesia local, ocorreu uma intercorrência súbita.

“A criança apresentou um choque anafilático, uma reacção alérgica grave. A situação foi prontamente detectada, recebeu assistência imediata, foi monitorizada em menos de cinco minutos e encaminhada para a Unidade de Cuidados Intensivos, onde permaneceu por 24 horas”, afirmou.

Apesar dos esforços da equipa multidisciplinar, o bebé acabou por não resistir e evoluiu para óbito no dia seguinte.

No âmbito das responsabilidades institucionais, o Ministério da Saúde determinou a criação de uma comissão interna de inquérito para apurar todas as circunstâncias do caso. Como medida de precaução, todos os profissionais de saúde envolvidos foram suspensos preventivamente.

Entretanto, a família da criança contesta a versão apresentada pela direcção do hospital. Conforme os familiares, ao bebé terão sido administradas três injecções de anestesia local, cada uma com 5 mililitros, totalizando 15 mililitros aplicados na região do pénis e da virilha.

O Imparcial Press apurou que o procedimento foi realizado pela médica Julice Adolfo Simão, licenciada em Medicina Geral, que é esposa do director clínico do hospital, Cláudio Eufrásio de Oliveira Simão.

Pouco depois, a criança começou a apresentar convulsões, tendo sido transferida para os cuidados intensivos, onde permaneceu sob ventilação mecânica até ao óbito, ocorrido no dia 20 de Fevereiro.

Os familiares dizem ainda que só foram informados da morte horas depois e levantam dúvidas quanto à alegada causa – choque anafilático – questionando a dosagem administrada e o cumprimento dos protocolos clínicos adequados para um bebé daquela idade.

O caso já foi formalmente denunciado ao Serviço de Investigação Criminal, com a família a exigir uma investigação rigorosa, transparente e independente por parte do Ministério da Saúde, de modo a apurar eventuais responsabilidades criminais, disciplinares e administrativas.

As autoridades garantem que o inquérito está em curso e asseguram que os seus resultados serão tornados públicos após a conclusão das averiguações.

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