
Marcado por comportamentos de kuduristas [K2] do Presidente da República, que a dado momento, enquanto discursava, ameaçou os Deputados da Bancada Parlamentar da UNITA de abandonar a sala, num claro ato de iliteracia jurídica, traduzido no desconhecimento total dos dispositivos normativos constitucionais.
Enquanto Presidente da República, J. Lourenço falava não somente para o hemiciclo da Assembleia Nacional, mas sobretudo para todos os angolanos, quer estejam em território nacional ou na diáspora.
O Discurso sobre o Estado da Nação, hoje proferido pelo Presidente da República, em cumprimento do disposto no Artigo 118.º da CRA, dissipou e cristalizou as possíveis dúvidas de uns poucos angolanos que, apesar do estado lastimável em que o país se encontra devido às precárias e desastrosas políticas de governação de J. Lourenço, ainda lhe davam o benefício da dúvida. Contudo, após longas, intermináveis e entediantes horas de discurso, a esperança esvaneceu-se.
Pela quantidade elevada de dados e informações deduzidas de relatórios forjados, o pobre e penoso discurso de J. Lourenço revelou-se uma mão cheia de nada. Talvez, finalmente, os angolanos tenham percebido por que motivo, quando o Teimoso discursa na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o mundo se retira da sala antes do início do ciclo interminável de leitura de papéis. Assim, J. Lourenço acaba sempre por discursar para intermináveis filas de cadeiras vazias, o que representa um recado das delegações internacionais: J. Lourenço deveria voltar para Angola, organizar-se e só então voltar a Nova Iorque para ser levado a sério.
Dissiparam-se todas as dúvidas. Ficou provado que, além de desprovido de literacia política mínima para tão nobre cargo, como o de Presidente da República, J. Lourenço não tem qualquer agenda para o País. A sua única agenda é a manutenção do poder a qualquer custo (no MPLA e, por extensão, no País). Desde 2017, os angolanos caminham por um túnel completamente escuro, e, em vez de verem uma luz verde ao fundo, continuam a ver mais túnel.
Os números forjados e os dados maquilhados apresentados por J. Lourenço contrastam radicalmente com a realidade quotidiana de Angola. Não é preciso grande esforço mental para perceber, por exemplo, que:
J. Lourenço perdeu uma soberana oportunidade de explicar aos angolanos o que fará para travar a constante desvalorização do Kwanza face às principais moedas internacionais (Euro e USD), que tem gerado uma inflação galopante, arrastando a economia angolana e desvalorizando os míseros salários dos funcionários nacionais, além de afastar o investimento estrangeiro.
Também perdeu a oportunidade de abordar as políticas em curso para melhorar a situação social dos angolanos, que se encontra no estado mais precário desde a independência, resultando em consequências sociais graves, como:
Além disso, João Lourenço falhou em esclarecer os angolanos sobre a dívida pública real: como foram usados os fundos, que impacto tiveram na vida dos cidadãos e como essas dívidas afetarão as futuras gerações.
Era esperado que J. Lourenço se pronunciasse concretamente sobre a implementação das autarquias em Angola, uma vez que, embora o Pacote Legislativo Autárquico ainda não esteja concluído, com vontade política e orientação ao Grupo Parlamentar do MPLA, tal como aconteceu com a aprovação da Lei sobre a Nova Divisão Administrativa, as autarquias poderiam ser uma realidade.
Por último, J. Lourenço perdeu uma oportunidade de admitir que o Presidente dos EUA, Joe Biden, já não virá numa visita oficial a Angola, tendo decidido visitar exclusivamente a Alemanha, talvez por ser um país verdadeiramente LIMPO, SEGURO e ORGANIZADO.
*Jurista