Estados Unidos da América impõem restrições de entrada a cidadãos angolanos a partir de 1 de Janeiro de 2026
Estados Unidos da América impõem restrições de entrada a cidadãos angolanos a partir de 1 de Janeiro de 2026
angola e america

A administração do Presidente norte-americano Donald Trump anunciou a expansão das restrições de viagem a mais 20 países e à Autoridade Palestiniana, elevando para 39 o número total de nações afectadas por limitações à entrada nos Estados Unidos da América.

Entre os países agora sujeitos a restrições parciais consta Angola, numa decisão que volta a colocar a política migratória norte-americana no centro do debate internacional. As novas regras entram em vigor a 1 de Janeiro de 2026.

De acordo com o anúncio feito na terça-feira, 16, pela administração republicana, cinco países – Burkina Faso, Mali, Níger, Sudão do Sul e Síria – passam a integrar a lista de proibição total de entrada, enquanto outros 15, incluindo Angola, enfrentarão restrições parciais.

Além de Angola, a lista inclui Antígua e Barbuda, Benim, Costa do Marfim, Dominica, Gabão, Gâmbia, Malawi, Mauritânia, Nigéria, Senegal, Tanzânia, Tonga, Zâmbia e Zimbabué.

As medidas aplicam-se tanto a cidadãos que pretendam viajar para os EUA como visitantes, como àqueles que ambicionam emigrar para o país.

No entanto, ficam isentos das restrições os cidadãos que já possuam vistos válidos, residentes permanentes legais, bem como titulares de categorias específicas de vistos, como diplomatas, atletas ou pessoas cuja entrada seja considerada do interesse nacional dos Estados Unidos.

No comunicado oficial, a administração Trump justificou a decisão com alegadas fragilidades nos sistemas de vários países, referindo “corrupção generalizada, documentos civis fraudulentos ou pouco fiáveis e registos criminais insuficientes”, factores que, segundo Washington, dificultam a avaliação de risco dos viajantes.

Foram ainda apontadas elevadas taxas de permanência ilegal após o término dos vistos, recusa de alguns Estados em aceitar cidadãos deportados e problemas de estabilidade e controlo governamental.

A inclusão de Angola nesta lista surge dias depois de o embaixador angolano nos Estados Unidos, Agostinho Van-Dúnem, ter alertado publicamente para o risco iminente de o país vir a ser alvo de restrições migratórias, devido ao aumento do número de cidadãos com passaporte angolano a tentarem entrar ilegalmente em território norte-americano.

Segundo informações avançadas por fontes diplomáticas, mais de 20 cidadãos angolanos já foram deportados dos EUA por imigração ilegal, havendo ainda outros em processo de repatriamento.

Acresce a este cenário a existência de um número significativo de supostos cidadãos angolanos actualmente detidos em estabelecimentos prisionais norte-americanos, por violação das leis migratórias.

A decisão da administração Trump tem sido alvo de fortes críticas por parte de organizações de defesa dos direitos humanos e de associações ligadas à imigração, que acusam Washington de utilizar argumentos de segurança nacional para impor restrições colectivas com base na origem dos viajantes.

Para estes críticos, as medidas penalizam cidadãos comuns e reforçam práticas discriminatórias.

Entretanto, vários países afectados anunciaram que estão a avaliar o impacto das restrições e a procurar esclarecimentos junto das autoridades norte-americanas.

No caso de Angola, espera-se uma reacção oficial nos próximos dias, num contexto em que a medida poderá afectar estudantes, empresários, turistas e famílias com ligações aos Estados Unidos.

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