
Um estudo da consultora internacional Deloitte revela fragilidades preocupantes no sistema de controlo interno do sector bancário em Angola, ao indicar que 62% dos bancos que operam no país não dispõem de procedimentos de auditoria contínua, um mecanismo considerado essencial para a boa governação e gestão de riscos nas instituições financeiras modernas.
A conclusão consta de uma análise sobre o grau de maturidade das auditorias internas no sector bancário angolano, realizada junto de 13 instituições financeiras que, em conjunto, representam cerca de 88% da quota de mercado.
Os dados oferecem um retrato significativo dos desafios enfrentados pelas direcções de auditoria interna no país.
Segundo o estudo, além da ausência de auditoria contínua e remota em grande parte das instituições, 62% dos bancos também não recorrem a ferramentas de análise de dados (Data Analytics) para recolher, organizar e interpretar informações estratégicas que possam apoiar a tomada de decisões.
Esta lacuna limita a capacidade das instituições de detectar riscos em tempo útil e de melhorar os mecanismos de controlo interno.
Outro dado considerado alarmante é o facto de 70% dos bancos analisados não possuírem um software de gestão de suporte às direcções de auditoria interna, ferramenta considerada fundamental para assegurar maior estabilidade, transparência e eficiência nos processos de fiscalização.
O estudo revela ainda fragilidades ao nível do planeamento das auditorias. De acordo com a análise, 62% das instituições bancárias não elaboram planos de auditoria plurianuais, o que pode comprometer uma visão estratégica de médio e longo prazo na supervisão das operações.
Ainda assim, 92% dos bancos afirmam preparar os seus planos com base numa avaliação de riscos, embora a consultora destaque que existem diversas oportunidades de melhoria nesse processo.
Num sector que tem sido alvo de reformas e de maior vigilância regulatória nos últimos anos, os resultados do estudo levantam preocupações sobre a robustez dos mecanismos de controlo interno nas instituições financeiras angolanas.
Especialistas consultados pelo Imparcial Press alertam que a ausência de ferramentas modernas de auditoria e análise de dados pode expor o sistema bancário a falhas de supervisão, riscos operacionais e potenciais irregularidades.
Perante este cenário, o relatório da Deloitte sublinha a necessidade de os bancos reforçarem as suas estruturas de auditoria interna, apostando em tecnologia, análise de dados e planeamento estratégico, de modo a garantir maior transparência, confiança e solidez no sistema financeiro nacional.