Eu apoio sim relações poligâmicas – David Mendes
Eu apoio sim relações poligâmicas – David Mendes
David Mendes1

Gostaria de dizer que eu apoio a poligamia. Fique aqui claro: não dou rodeios nesta matéria. Eu apoio a poligamia, mas não apoio aquilo que muitos intelectuais gostam de dizer, reprodução autónoma, isto é, dizer que a mulher vai ao laboratório, depois ela fica o pai e a mãe sozinha. Eu não apoio isso.

Eu apoio sim relações poligâmicas, porque isso é uma questão individual. Cada um assume de acordo com os seus interesses. É uma esfera da vida em que o Estado nem deve interferir.

Se a pessoa quer entrar num relacionamento em que sabe que já existem outras, isso é um princípio da liberdade. Não há aqui uma imposição. Eu sou contra a prostituição. Mas as pessoas aqui aplaudem a prostituição.

Eu consigo receber na minha casa o meu amigo e a sua segunda esposa, mas não recebo na minha casa um amigo que anda nas prostitutas. É indigno! Mas ter uma segunda e terceira relação eu respeito, porque faz parte da sua forma de estar e ser.

A doutrina ocidental católica, quando chegou aqui já encontrou a poligamia. Nos tentaram induzir em erro para assumirmos que até tem filhos legítimos e ilegítimos.

Quer dizer: só são filhos legítimos os da mulher casada, os demais são ilegítimos. Eu gosto muito de uma frase da professora de direito da família, Maria do Carmo Medina, que dizia: “Não existem filhos ilegítimos, mas sim pais irresponsáveis”. Isso sim existe. Por isso, eu apoio a poligamia.

E mais: quem lê o Código da Família, está lá de forma indirecta: relações de família – produzidas pelo casamento e pela união de facto. E existe a união de facto reconhecida e a união de facto não reconhecida.

Quando é que existe a união de facto não reconhecida, ou não reconhecível? Quando os pressupostos não satisfazem. Ou seja, Já há um casamento, já há outra união reconhecia. Todavia, é válida para atender, residência familiar, alimentos e enriquecimento sem causa.

Está lá na lei, não vamos dizer que sou o único que leio isto. Os outros não leem porque não querem ler. Meus senhores, vamos ser honestos.

Gostamos de parecer que somos seguidores de Deus, homens fiéis, mas na hora encontramo-nos todos nas pensões. Porque vão lá parar? Então, estão a esconder o quê?

Querem publicamente parecer que são finos, seguidores de Deus, por isso, são fiéis, mas de fiéis não têm nada.

Nos escritórios usam as funcionárias para fazerem sexo, pastores se envolvem com as crentes e dizem até que para fortificar têm que dormir com duas virgens, que brincadeira é essa?

Vamos ser claros, não vamos esconder: a poligamia é uma realidade. A mulher que não quer não assume, não entra. Quando ela entra é porque quer. E vamos deixar isso de dizer que quem vai pela poligamia fica pobre.

Um dos maiores ricos da Nigéria deixou mais de 30 filhos e com mais de 20 mulheres. Não vamos aqui com esses truques da Europa ocidental, do cristianismo. Respeito o cristianismo tal como respeito o islamismo que permite relações poligâmicas. Então qual é o nosso problema aqui?

Angola é um Estado laico e como tal não deve interferir em assuntos religiosos. A igreja católica que não aceita poligamia isso é assunto dos crentes desta igreja. Os islamitas que aceitam relações de poligamia é assunto deles.

O Estado deve estar livre e só interfere se destas relações resultar prejuízos. Por isso, repito, eu defendo a poligamia, sou contra a prostituição e contra a reprodução autónoma.

Na minha cabeça não entra essa história de a mulher ir ao hospital para ter um f ilho sozinha, sem pai. O filho tem quer ter pai e mãe. Pobre ou rico.

Por isso, meus senhores, essa teoria de dizer que não aceitam a poligamia, mas depois encontramo-nos todos nas pensões, para mim não serve.

*Advogado

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