
Os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram, segunda-feira, novas sanções contra indivíduos, empresas e embarcações ligados, segundo Washington, às actividades militares, cibernéticas e ao comércio ilícito de petróleo do Irão, numa operação denominada “Economic Outcast”.
As medidas têm como alvo estruturas que, de acordo com o Departamento de Estado norte-americano, apoiam actividades consideradas desestabilizadoras do regime iraniano, incluindo a aquisição de armamento, ataques contra forças norte-americanas e aliados na região, operações de espionagem e ciberataques contra infra-estruturas críticas dos Estados Unidos.
Entre os alvos estão responsáveis militares iranianos acusados por Washington de participar na aquisição de armas e na coordenação de ataques contra forças norte-americanas e parceiros regionais, bem como entidades sediadas no Irão que terão recolhido informações destinadas a facilitar ataques contra essas forças.
As autoridades norte-americanas incluíram ainda nas medidas uma rede de aquisição que, segundo o Departamento de Estado, fornece equipamentos e materiais aos programas militares e de mísseis iranianos.
O pacote de sanções abrange igualmente um grupo cibernético que Washington atribui ao Governo iraniano e responsabiliza por ataques em larga escala contra infra-estruturas críticas norte-americanas.
A componente cibernética da operação foi desenvolvida em coordenação com o Federal Bureau of Investigation (FBI), que anunciou na semana passada acusações contra oito cidadãos iranianos alegadamente envolvidos numa campanha de ataques informáticos contra empresas norte-americanas do sector energético, empresas contratadas pela indústria de defesa, instituições de saúde e organismos governamentais municipais, estaduais e federais.
O Departamento de Estado anunciou também, através do programa “Recompensa por Justiça”, recompensas de até 10 milhões de dólares por informações que permitam localizar ou responsabilizar cinco dos indivíduos acusados de desenvolver actividades cibernéticas contra infra-estruturas críticas dos Estados Unidos em nome do Governo iraniano.
Segundo Washington, as novas medidas procuram ainda atingir uma extensa rede de empresas de transporte marítimo e intermediários envolvidos na movimentação de petróleo iraniano, além de produtos petrolíferos e petroquímicos.
A rede actuaria, de acordo com o Departamento de Estado, através de jurisdições como os Emirados Árabes Unidos, China, Singapura e países europeus, permitindo ao Irão gerar receitas destinadas, entre outros fins, ao financiamento da Força Quds do Corpo dos Guardas da Revolução Islâmica (IRGC-QF), classificada pelos Estados Unidos como organização terrorista, e de outras estruturas do regime.
As autoridades norte-americanas afirmaram que vão continuar a procurar interromper e desmantelar redes relacionadas com a aquisição de equipamento militar, proliferação de armas, operações cibernéticas e comércio ilícito de petróleo iraniano.
Washington apelou ainda à comunidade internacional para adoptar medidas contra os indivíduos e entidades abrangidos pelas sanções.
As medidas foram adoptadas ao abrigo de várias ordens executivas norte-americanas. Entre elas está a Ordem Executiva 13846, que restabelece determinadas sanções relacionadas com o Irão, e a Ordem Executiva 13949, dirigida a determinadas pessoas envolvidas em actividades iranianas relacionadas com armas convencionais.
Outras medidas do Departamento do Tesouro têm por base a Ordem Executiva 13382, relativa à proliferação de armas de destruição maciça e respectivos meios de lançamento; a Ordem Executiva 13694, relativa a actividades cibernéticas maliciosas; a Ordem Executiva 13902, que abrange determinados sectores da economia iraniana; e a Ordem Executiva 13224, relativa ao combate ao terrorismo.
O Departamento de Estado norte-americano afirmou que as medidas fazem parte de uma estratégia destinada a aumentar a pressão sobre Teerão e a responsabilizar os envolvidos no que Washington considera serem actividades militares, cibernéticas e financeiras destinadas a sustentar as políticas do regime iraniano.
O anúncio surge num contexto de persistentes tensões entre os Estados Unidos e o Irão, particularmente em torno dos programas militar e nuclear iranianos, das actividades regionais da República Islâmica e das ameaças cibernéticas atribuídas a actores ligados ao Governo de Teerão.