
Um grupo de ex-militares das Forças Armadas Angolanas (FAA), actualmente integrados na Polícia Nacional, denunciou publicamente aquilo que considera ser um “roubo institucional”, alegando que os seus salários foram drasticamente reduzidos após a transição para a nova corporação.
Segundo uma exposição a que o Imparcial Press teve acesso, os efectivos afirmam que, ao consultarem o aplicativo das Finanças neste mês, encontraram um valor de apenas 66.628 kwanzas, montante muito inferior ao que recebiam durante mais de dez anos de serviço nas FAA.
“Eu, particularmente, ostentava a patente de primeiro-cabo e auferia um salário muito superior a este. Nunca houve um processo de transição em que ex-militares fossem pagos com valores tão baixos”, refere um dos subscritores da denúncia.
Os reclamantes sublinham ainda que, além da redução salarial, foram registados administrativamente como estando em formação no Centro de Formação Regional Norte, no município de Cacuso, província de Malanje, apesar de garantirem que nenhum deles se encontra naquele centro.
A situação, segundo os efectivos, está a gerar sérias dificuldades financeiras, uma vez que a quantia atribuída “não cobre despesas básicas de renda, alimentação e sustento das famílias”.
“Temos famílias para sustentar, e com este dinheiro não conseguimos honrar os nossos compromissos. O nosso pacote salarial é completamente diferente do de um civil que entra directamente para a Polícia. Estamos a ser injustiçados”, acrescenta a nota.
Diante do cenário, os ex-militares apelam à intervenção urgente do ministro do Interior, Manuel Homem, para corrigir o que classificam como “injustiça e irregularidade administrativa”, exigindo o pagamento integral dos seus salários.
