Exposição inédita de serigrafias de António Ole estreia-se em Luanda
Exposição inédita de serigrafias de António Ole estreia-se em Luanda
Antonio Ole

As obras do artista angolano António Ole vão estar em destaque numa exposição inédita que será inaugurada esta sexta-feira em Luanda, no ELA – Espaço Luanda Arte, com a apresentação, pela primeira vez no país, da edição de serigrafias “Sobre o Consumo da Pílula”. A mostra ficará patente ao público até ao dia 5 de Abril.

Segundo um informe da organização, o projecto artístico data de 2022 e foi desenvolvido em colaboração com a Galeria InSoFar, de Lisboa, em Portugal.

A iniciativa traz a Luanda parte de uma série de serigrafias manuais inspiradas numa das obras mais emblemáticas de António Ole, criada no início da década de 1970.

A edição é composta por 28 serigrafias e três provas de autor, numa referência directa aos 28 dias do ciclo habitual da toma da pílula contraceptiva e aos três dias de pausa.

Cada exemplar é acompanhado, no verso, por um ensaio da curadora Paula Nascimento, que contextualiza historicamente e analisa criticamente a importância da obra no panorama artístico.

Segundo a organização, a exposição integra parte desta série limitada e poderá ser visitada no ELA – Espaço Luanda Arte de terça-feira a domingo, entre as 12h00 e as 20h00, ou mediante marcação.

A obra original “Sobre o Consumo da Pílula” foi criada quando António Ole tinha apenas 19 anos e ainda era estudante do liceu. Influenciado pela estética da Pop Art, pelos movimentos psicadélicos da década de 1960 e pela linguagem das bandas desenhadas, o jovem artista revelou desde cedo uma abordagem crítica às questões sociais e políticas do seu tempo.

A peça gerou polémica ao representar o Papa Paulo VI a tomar a pílula contraceptiva, gesto simbólico que confrontava os discursos dominantes sobre moralidade, religião e autonomia feminina.

Apesar de ter sido distinguida no IV Salão de Arte Moderna, em 1970, a obra acabou por ser proibida na altura, vindo a ser exposta apenas anos mais tarde.

Mais de cinquenta anos depois, esta nova edição revisita um momento considerado fundador da arte contemporânea angolana, trazendo novamente ao debate temas como os direitos reprodutivos, a autonomia e a liberdade das mulheres.

A curadora Paula Nascimento afirma que a obra convida a reflectir sobre a história dos direitos reprodutivos e sobre como a luta pela autonomia feminina permanece actual.

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