
Mais de 2.500 funcionários da Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda (ELISAL) iniciaram esta quinta-feira uma greve de 15 dias para exigir o cumprimento de reivindicações laborais pendentes, entre as quais aumentos salariais, melhores condições de trabalho e maior valorização profissional.
A paralisação foi convocada pela comissão sindical da empresa após o fracasso das negociações com a administração, que decorriam desde o final de 2025.
Inicialmente prevista para Janeiro deste ano, a greve foi suspensa na altura na sequência de um entendimento temporário entre as partes, mas acabou por avançar devido à ausência de progressos concretos nas negociações.
Segundo o secretário para a Informação da comissão sindical da ELISAL, Carlos António, os trabalhadores decidiram retomar a contestação por considerarem que a direção da empresa não cumpriu os compromissos assumidos durante o período de suspensão da greve.
De acordo com o dirigente sindical, a administração justifica a impossibilidade de atender às exigências dos trabalhadores com alegadas dificuldades financeiras, argumento que tem sido contestado pelos funcionários.
Os trabalhadores afirmam que a empresa continua a proceder ao recrutamento de novos funcionários, apesar de alegar falta de recursos para rever salários e melhorar as condições laborais dos quadros já existentes.
Entre as principais reivindicações consta um aumento salarial de 50% para os trabalhadores de base e de 25% para os funcionários administrativos, além da revisão das políticas de promoção interna.
O sindicato denuncia ainda alegadas situações de desigualdade no tratamento dos trabalhadores, sustentando que funcionários recém-admitidos têm sido promovidos para cargos de responsabilidade em detrimento de quadros com vários anos de serviço e formação profissional adequada.
Outra preocupação apontada pelos representantes dos trabalhadores prende-se com a diferença salarial entre os operários responsáveis pela limpeza pública e os funcionários administrativos da empresa.
A ELISAL é responsável por uma parte significativa dos serviços de recolha de resíduos sólidos e saneamento na província de Luanda, desempenhando um papel central na manutenção da limpeza urbana da capital angolana.
Os trabalhadores defendem que a empresa não deve depender exclusivamente das transferências financeiras do Governo Provincial de Luanda e do Estado, mas procurar mecanismos alternativos de geração de receitas que permitam melhorar a sustentabilidade financeira da instituição e as condições dos seus colaboradores.
A greve deverá prolongar-se até ao próximo dia 25 de Junho, salvo se houver avanços nas negociações entre a direção da empresa e os representantes sindicais.
A paralisação poderá provocar constrangimentos na recolha de resíduos e nos serviços de limpeza pública em vários municípios da capital, numa altura em que Luanda continua a enfrentar desafios relacionados com o saneamento básico e a gestão de resíduos urbanos.
Até ao momento, a administração da ELISAL não reagiu publicamente ao início da greve nem às acusações apresentadas pelo sindicato.