
Funcionários da Embaixada de Angola em França manifestam preocupação com alegadas dificuldades operacionais na missão diplomática, afirmando que vários membros do corpo diplomático não dispõem de meios de transporte adequados para o exercício das suas funções, apesar da previsão de uma verba superior a 3,5 mil milhões de kwanzas destinada à renovação da frota automóvel.
Segundo fontes do Imparcial Press ligadas à representação diplomática angolana em Paris, alguns diplomatas são obrigados a efectuar deslocações a pé para cumprir tarefas institucionais, situação que, afirmam, condiciona o funcionamento regular dos serviços e expõe os funcionários a constrangimentos evitáveis.
As mesmas fontes referem existir um crescente sentimento de insatisfação entre trabalhadores da missão, que consideram existir um desfasamento entre as condições operacionais disponíveis e os montantes previstos para despesas relacionadas com a frota automóvel.
De acordo com o Plano Anual de Contratação (PAC) de 2026, a Embaixada de Angola em França prevê gastar cerca de 3.526 milhões de kwanzas (aproximadamente 3,24 milhões de euros) na aquisição de novas viaturas.
O documento contempla igualmente uma dotação de 111,8 milhões de kwanzas para combustível destinado à frota automóvel e aos sistemas de aquecimento, valor idêntico ao inscrito no orçamento de 2025.
As fontes ouvidas questionam a adequação dos recursos actualmente disponíveis aos funcionários face aos montantes previstos para a renovação e manutenção dos meios de transporte da missão diplomática.
As preocupações surgem numa altura em que o Executivo angolano tem reiterado a necessidade de racionalização da despesa pública e de reforço dos mecanismos de transparência e eficiência na gestão dos recursos do Estado.
Elementos da comunidade angolana residente em França ouvidos sobre o assunto defendem igualmente maior clareza na execução das despesas públicas afectas às representações diplomáticas, considerando que a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos deve constituir uma prioridade.
A legislação angolana em matéria de contratação pública e gestão financeira estabelece que a utilização de recursos do Estado deve obedecer aos princípios da legalidade, eficiência, economicidade e transparência.