
Os funcionários do Instituto Geológico de Angola (IGEO) avançam a partir de amanhã, segunda-feira, 02 de Março, para uma greve interpolada de 23 dias, numa decisão que expõe o clima de tensão crescente dentro de uma instituição estratégica do sector mineiro, soube o Imparcial Press.
A paralisação foi aprovada por unanimidade na assembleia geral realizada a 23 de Fevereiro, depois de, segundo a Comissão Sindical, anos de promessas não cumpridas e sucessivas tentativas frustradas de diálogo com o Conselho de Administração, liderado por José Manuel.
O braço-de-ferro arrasta-se desde 2021. De acordo com os representantes dos trabalhadores, o caderno reivindicativo apresentado à administração continua sem respostas concretas, apesar das várias reuniões realizadas.
A indignação agravou-se com o silêncio atribuído ao Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, liderado por Diamantino Pedro Azevedo, a quem foram remetidas cartas formais sem qualquer retorno, segundo a estrutura sindical.
A greve será cumprida de forma interpolada, em três fases: de 2 a 6 de Março, de 16 a 25 de Março e de 30 de Março a 14 de Abril. No total, serão 23 dias de paralisação que poderão afetar o funcionamento de um organismo central para o mapeamento e gestão dos recursos minerais do país.
Os trabalhadores exigem equiparação de subsídios aos praticados noutros órgãos tutelados pelo ministério, enquadramento dos contratados no quadro da Função Pública, políticas habitacionais, assistência médica e medicamentosa para funcionários e dependentes, atualização de categorias profissionais, revisão do subsídio de Natal e criação de um prémio de reforma. Reivindicam ainda a reposição e atualização de subsídios considerados direitos adquiridos, bem como a criação de um fundo social.
A comissão sindical sustenta ao Imparcial Press que a decisão de avançar para a greve só foi tomada depois de esgotadas todas as vias de negociação.
A assembleia contou com representantes do ministério de tutela e da Inspeção Geral do Trabalho, em conformidade com a Lei da Greve, e aprovou a paralisação por unanimidade, um sinal claro de que o mal-estar é transversal.
Para muitos funcionários, a situação já ultrapassou o plano laboral e tornou-se uma questão de dignidade profissional. Acusam a administração de inércia e de ignorar reivindicações que consideram básicas, num sector que movimenta interesses económicos de grande dimensão.
Foram designados delegados de greve nas províncias de Luanda, Huíla e Lunda-Sul, e a comissão sindical garante que estarão assegurados serviços mínimos para necessidades essenciais. Ainda assim, o impacto da paralisação poderá ser significativo, caso o impasse se mantenha.
Até ao momento, o Conselho de Administração do IGEO e o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás não tornaram pública qualquer posição sobre a greve iminente, aumentando a percepção de distanciamento entre a tutela e os trabalhadores.
Com o calendário da paralisação já definido, a pressão sobe e o conflito laboral ameaça transformar-se num teste político à capacidade de resposta do Executivo num sector sensível para a economia nacional.