
O ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, general Francisco Pereira Furtado, lançou na sexta-feira um ataque frontal à narrativa da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC), ao afirmar que o movimento separatista está totalmente inoperante do ponto de vista militar e que tudo o que se divulga sobre alegadas acções armadas no enclave não passa de “mentira” e “propaganda política”.
As declarações, feitas no Lubango durante o Encontro Regional Sul da Sociedade Civil, promovido pelo Movimento Nacional Angola Real (MONAAR), caíram como uma bomba num momento em que a FLEC-FAC proclamou a 2 de Fevereiro, a independência da República de Cabinda, a partir da sua base na floresta do Maiombe, naquela que é a segunda declaração unilateral do movimento independentista, depois da primeira proclamação feita em 1975, considerando como “territórios livres” as zonas que afirma controlar.
Num tom duro e pouco habitual, o general Francisco Furtado assegurou que não existe uma única base militar da FLEC em Cabinda, desmentindo categoricamente qualquer cenário de guerrilha activa.
“É tudo mentira. O que existe são alguns civis a viver na RDC e na República do Congo, pagos para fazer uma ou outra incursão, rapidamente neutralizada”, afirmou, garantindo que a província está totalmente pacificada.
O governante foi ainda mais duro ao ridicularizar a recente proclamação unilateral da “independência de Cabinda”, anunciada no exterior pelo movimento. Sem rodeios, acusou o filho de Nzita Tiago de protagonizar um acto político sem qualquer ligação ao território.
“Teve o descaramento de proclamar a independência a partir de Paris [na verdade foi em Bruxelas]. Nunca sequer esteve em Cabinda”, disse, classificando o gesto como encenação mediática destinada a criar ruído internacional.
As declarações do ministro de Estado surgem dias depois de a Frente de Libertação do Enclave de Cabinda – Forças Armadas de Cabinda (FLEC-FAC) ter anunciado, a partir de Bruxelas, a renúncia unilateral à Constituição da República de Angola e à cidadania angolana, reivindicando soberania plena sobre o enclave petrolífero.
No comunicado, a organização invoca o Tratado de Simulambuco, de 1885, exige reconhecimento internacional e pede a intervenção directa da ONU para “quebrar o silêncio da comunidade internacional”.
Apesar do tom confiante do Executivo, a escalada verbal evidencia uma batalha paralela travada no plano político, longe do terreno, mas com impacto sensível na opinião pública.
Enquanto Luanda insiste que a FLEC é um corpo sem músculos, incapaz de qualquer acção bélica, o movimento separatista procura manter-se relevante através de comunicados inflamados e apelos à diplomacia internacional.