General Kopelipa “reduzido” a simples Medalha do Valor das FAA
General Kopelipa "reduzido" a simples Medalha do Valor das FAA
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O general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”, antigo ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República durante a era de José Eduardo dos Santos, foi condecorado ontem, quarta-feira, em Luanda, com a Medalha do Valor das Forças Armadas Angolanas (FAA), 1.ª classe, semanas depois de ter sido definitivamente absolvido de todas as acusações criminais que pendiam contra si.

A distinção foi atribuída no âmbito das comemorações do 34.º aniversário da fundação do Exército angolano e da institucionalização do Sistema de Condecorações Militares, cerimónia em que foram homenageados 63 oficiais generais e superiores por feitos e méritos na defesa da Pátria, na salvaguarda da ordem constitucional e na preservação da unidade nacional.

A condecoração de Kopelipa surge num contexto politicamente sensível, depois de o general ter sido levado ao banco dos réus do Tribunal Supremo pela Procuradoria-Geral da República (PGR), no quadro do mediático processo-crime instaurado no âmbito do combate à corrupção desencadeado pelo Executivo de João Lourenço.

O processo envolveu igualmente o general Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino”, e incidiu sobre alegados crimes de peculato, burla por defraudação, branqueamento de capitais, abuso de poder e associação criminosa, relacionados com a gestão de activos estratégicos do Estado, participações empresariais e património imobiliário.

Durante a instrução e o julgamento, a acusação sustentou que os arguidos teriam usado a sua posição privilegiada junto da Presidência da República para obter vantagens patrimoniais indevidas.

Após vários anos de tramitação, o Tribunal Supremo acabou por absolver Kopelipa de todas as acusações, por insuficiência de provas e incapacidade do Ministério Público em demonstrar a prática dos crimes imputados.

A decisão judicial encerrou um dos processos mais emblemáticos do ciclo de justiça pós-2017 e representou um revés significativo para a narrativa oficial do combate à corrupção.

Curiosamente, o general Kopelipa foi propositadamente excluído das condecorações atribuídas no quadro das celebrações dos 50 anos da Independência Nacional, quando milhares de personalidades civis e militares foram agraciadas com medalhas das classes Independência e Paz e Desenvolvimento.

A exclusão foi interpretada, nos bastidores do poder, como um gesto político deliberado da entourage presidencial, prolongando a “penalização” do antigo homem forte do regime anterior.

A homenagem agora prestada pelas FAA é vista por analistas como um reconhecimento tardio do seu percurso militar e do papel desempenhado durante décadas na hierarquia do Estado, mas também como uma tentativa de reposicionamento institucional após a humilhação pública associada ao processo judicial.

Na mesma cerimónia, foram igualmente distinguidos com a Medalha do Valor das FAA, 1.ª classe, os generais-de-exército Nascimento Salvador Vaz “Gafarov” e Simão Pedro Augusto Mabiala, bem como os tenente-generais Fernando de Brito Teixeira de Sousa Andrade e Mário Lopes Teixeira “Manino”. Outros oficiais generais receberam medalhas de 2.ª e 3.ª classes.

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