
O general na reforma Manuel Mendes de Carvalho “Paka” foi ouvido esta terça-feira na Direção Nacional de Investigação e Ação Penal (DNIAP), em Luanda, na sequência de uma notificação da Procuradoria-Geral da República (PGR), tendo sido constituído arguido num processo-crime por alegadas injúrias, difamação e calúnia contra o Presidente da República, João Lourenço.
Em causa estão declarações públicas em que o general acusou o Governo de “roubar o povo” e apelou ao voto na UNITA nas próximas eleições. À saída da audição, Paka confirmou que lhe foi comunicado que existem queixas apresentadas contra si, afirmando, no entanto, que se trata de um “mal-entendido” e que agiu no exercício do seu direito constitucional à crítica.
“Eu sou um cidadão, tenho direitos e deveres. Um dos meus direitos é criticar a má governação. O nosso povo vive uma situação catastrófica, há pessoas a comer nos contentores do lixo”, declarou em entrevista à DW África, sublinhando que a sua intervenção pública visa “defender o povo”, compromisso que, diz, assumiu ao longo da sua carreira militar.
O general, que lutou contra o colonialismo português e participou na guerra civil, afirmou ainda que já tentou, sem sucesso, encontrar-se com o Presidente João Lourenço para esclarecer as suas posições. “Vamos dar seguimento ao processo e ver até onde chega. Acredito que, no momento certo, tudo ficará esclarecido”, acrescentou.
Questionado sobre eventuais represálias, incluindo a possibilidade de lhe serem retiradas patentes militares, Paka respondeu com ironia: “Só peço que não me cortem a língua. Podem despromover-me, isso é normal. Ele não ficará eternamente a governar este país. A própria História vai absolver-me”.
O general confirmou também que apelou publicamente ao voto na UNITA e no seu líder, Adalberto Costa Júnior, por considerar que o partido apresenta um programa “melhor do que o do atual MPLA”.
“Eu voto como angolano, porque acredito que é preciso resolver os problemas do país”, afirmou, defendendo ainda uma relação mais equilibrada entre o partido no poder e a principal força da oposição.
Apesar do protagonismo político e mediático, Manuel Mendes de Carvalho afastou ambições pessoais, dizendo que a sua maior aspiração é ver Angola “em paz efetiva” e com os problemas sociais resolvidos.
“Angola é um dos países mais ricos do mundo. É inconcebível que continuemos a viver estas vicissitudes. Quero apenas ver o meu país bem”, concluiu.