
Há momentos em que a crítica é necessária. Há momentos em que o silêncio diante dos problemas se transforma quase numa forma de cumplicidade. Mas existe igualmente um princípio que, enquanto sociedade, precisamos cultivar: saber reconhecer quando as coisas começam a mudar para melhor.
Não se deve criticar apenas por criticar. Elogiar quando existem razões para fazê-lo também é uma virtude. É com esse espírito que hoje volto o meu olhar para a província do Huambo.
Quem conheceu o Huambo de alguns anos atrás e acompanha atentamente a sua dinâmica actual dificilmente ficará indiferente às mudanças que, progressivamente, começam a alterar a imagem da província.
Não significa que todos os problemas estejam resolvidos. Não estão. Existem ainda desafios nas comunidades, nos municípios, nos serviços públicos, no emprego, no saneamento e em muitas outras dimensões da vida das populações.
Mas também seria injusto fechar os olhos ao que está a ser feito.
Sob a gestão do governador Pereira Alfredo, o Huambo tem apresentado uma dinâmica que merece ser observada. Há uma preocupação cada vez mais perceptível com a imagem da cidade, com as vias, com a mobilidade, com os bairros e com a criação de condições para que a província volte a ocupar um lugar de destaque no contexto nacional.
E desenvolvimento não pode ser entendido apenas como cimento, asfalto ou edifícios. Desenvolvimento também significa devolver autoestima a uma população.
É fazer com que quem vive no Huambo volte a olhar para a sua terra com orgulho. É permitir que quem chega encontre uma província viva, organizada, culturalmente activa e capaz de receber acontecimentos de dimensão nacional e internacional.
O Huambo tornou-se, nos últimos tempos, uma província cada vez mais movimentada e visitada. Governantes, diplomatas, investidores, agentes culturais e diferentes personalidades têm passado por esta parcela do território nacional.
Recentemente, tivemos um exemplo particularmente simbólico: a passagem pelo Huambo da ministra da Cultura da República Federativa do Brasil, Margareth Menezes, durante a sua missão oficial a Angola.
Não devemos olhar para acontecimentos dessa natureza apenas como cumprimento de agendas protocolares.
Quando uma personalidade internacional visita uma província, conhece os seus espaços, encontra as suas autoridades, entra em contacto com a sua cultura e leva consigo uma determinada percepção daquele território, estamos também perante uma forma de promoção da província. E o Huambo precisa disso.
Precisa ser conhecido não somente pelas páginas difíceis da sua história, mas pela sua capacidade de reconstrução, pela força das suas populações, pela agricultura, pela cultura, pelo turismo, pelo conhecimento, pela juventude e pelo enorme potencial económico que possui.
Há também uma mudança que começa pelas coisas aparentemente pequenas. Uma rua recuperada pode parecer apenas uma rua. Mas, para quem todos os dias circula por ela, significa mobilidade, segurança, dignidade e tempo ganho.
Um bairro que recebe infraestruturas deixa de ser apenas um conjunto de casas e passa a integrar-se verdadeiramente na dinâmica urbana.
Uma cidade mais cuidada convida pessoas a visitá-la, empresas a olharem para ela e os próprios habitantes a preservarem aquilo que lhes pertence.
É assim que uma província se transforma: não necessariamente de um dia para o outro, mas através da acumulação de pequenas e grandes mudanças.
É neste contexto que a expressão “Huambo é a Banda” começa a ganhar outra dimensão. Mais do que um slogan, ela pode transformar-se numa afirmação de identidade.
Quando uma expressão popular ultrapassa os limites administrativos da província e começa a ser repetida noutros lugares, alguma coisa está a acontecer. Significa que o território começa a construir uma marca, uma narrativa e uma nova maneira de se apresentar ao país.
Huambo é a Banda pode significar orgulho. Pode significar pertença. Pode significar: venham conhecer o Huambo. E talvez seja precisamente dessa confiança que a província necessita para continuar a avançar.
Naturalmente, reconhecer aquilo que está bem não significa entregar um cheque em branco à governação. O cidadão deve continuar vigilante. Deve questionar. Deve exigir qualidade nas obras, transparência na utilização dos recursos públicos, melhores serviços de saúde e educação, oportunidades para a juventude e desenvolvimento que alcance também as comunidades mais distantes dos centros urbanos.
Porque o verdadeiro desenvolvimento não pode terminar nas principais avenidas. Ele precisa chegar aos bairros. Precisa chegar aos municípios. Precisa chegar às aldeias. E, sobretudo, precisa chegar à mesa e à vida das famílias. Por isso, o elogio de hoje não elimina a possibilidade da crítica de amanhã.
Essa é precisamente a responsabilidade de quem observa a sociedade com independência: criticar quando for necessário, reconhecer quando for justo e questionar sempre que o interesse colectivo assim o exigir.
O governador Pereira Alfredo e a sua equipa têm diante de si uma responsabilidade ainda maior. Quando os primeiros resultados começam a ser percebidos, aumenta também a expectativa da população. O desafio passa a ser transformar intervenções pontuais numa verdadeira política contínua de desenvolvimento provincial.
O Huambo tem história. Tem localização estratégica. Tem agricultura. Tem cultura. Tem juventude. Tem conhecimento. Tem potencial turístico. E, acima de tudo, tem gente que acredita profundamente nesta terra.
Talvez seja por isso que aquilo que começou como um simples slogan esteja, pouco a pouco, a ultrapassar as fronteiras da província.
Huambo é a Banda.
Mas para que essa frase permaneça no tempo, será necessário continuar a trabalhar para que cada cidadão possa olhar para a transformação da sua rua, do seu bairro, do seu município e dizer que também faz parte dela.
Porque governar é construir. Criticar é necessário. Fiscalizar é indispensável. Mas reconhecer quando existe progresso também é um acto de cidadania.
*Escritor