INAPEM: apoio ou fomento? – Tomás Alberto
INAPEM: apoio ou fomento? - Tomás Alberto
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No Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2025, o INAPEM recebeu uma verba de cerca de 2,4 mil milhões de kwanzas, destinada a programas de capacitação, incubação e apoio às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs).

O objectivo declarado foi de fortalecer a estabilidade económica de Angola através da diversificação produtiva e da criação de emprego.

Enquadramento da verba e objectivo do INAPEM

O Instituto Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (INAPEM) foi criado para ser um instrumento de apoio directo às MPMEs, reconhecendo que estas são fundamentais para a diversificação da economia e para a redução da dependência do petróleo.

Verba cabimentada em 2025: 2,4 mil milhões de kwanzas com finalidade de financiar programas de formação, incubação de negócios, linhas de crédito e iniciativas de fomento empresarial.

O objectivo estratégico é consolidar as MPMEs como pilares da economia nacional, promovendo inclusão financeira, inovação e criação de emprego.

Impacto esperado

  • Estabilidade económica: ao apoiar MPMEs, o INAPEM deveria contribuir para uma base empresarial mais sólida e resiliente.

  • Criação de emprego: pequenas empresas absorvem grande parte da mão-de-obra, especialmente em sectores não petrolíferos.

  • Diversificação produtiva: estimular agricultura, comércio, serviços e tecnologia.

  • Inclusão social: permitir que empreendedores de diferentes regiões tenham acesso a oportunidades e financiamento.

Apoio ou fomento?

Apesar da verba e dos objectivos, o INAPEM tem atuado mais como instituto de fomento do que de apoio. A crítica centra-se em cinco pontos principais:

  • Contradição de identidade: o nome sugere proximidade e suporte directo, mas na prática cria programas distantes da realidade empresarial Angolana.

  • Problema de comunicação: muitos empreendedores desconhecem os modelos de negócio propostos.

  • Desalinhamento de interesses: os programas muitas vezes não correspondem às necessidades reais; o empresário entra com um objectivo e sai com outro, imposto pelo programa.

  • Impacto limitado: sem compreensão e alinhamento, os programas não são absorvidos nem aplicados.

  • Risco estratégico: o fomento sem apoio pedagógico e sem escuta ativa gera iniciativas bonitas no papel, mas sem impacto real.

Conclusão

O INAPEM nasceu para ser apoio, mas tem atuado como fomento. A verba de 2,4 mil milhões Kz só terá impacto real se for acompanhada de escuta ativa, clareza e proximidade com os empreendedores.

Sem isso, continuará a ser um instituto que cria programas sem transformar a base empresarial — e Angola perderá a oportunidade de consolidar a sua estabilidade económica através das MPMEs.

*Empresário

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