
Os membros da Juventude da Frente Nacional de Libertação de Angola (JFNLA) acusam Carlos Cassoma, actual secretário nacional da organização, de práticas de corrupção, gestão danosa e violação dos princípios estatutários da FNLA.
Segundo relatos internos a que a Imparcial Press teve acesso, o dirigente juvenil é acusado de actuar à margem das orientações da Direcção da FNLA e do respectivo Comité Nacional, assumindo posições e praticando actos que colidem com a linha política definida pelos órgãos legal e estatutariamente competentes do partido.
As denúncias apontam ainda para uma alegada instrumentalização política de Carlos Cassoma por parte do nacionalista Ngola Kabungo, que, segundo os militantes, o teria mandatado e financiado com o objectivo de promover divisões internas, enfraquecer a coesão da JFNLA e desestabilizar a estrutura juvenil do partido, em clara violação da disciplina partidária.
No plano financeiro, os militantes acusam o secretário nacional de receber de forma recorrente valores monetários, bem como promessas de benefícios patrimoniais, incluindo a atribuição de uma residência.
De acordo com as denúncias, tais recursos estariam a ser canalizados para contas pessoais, em vez de serem depositados na conta oficial da JFNLA, usurpando competências que, estatutariamente, cabem ao secretário nacional para as finanças.
Consta igualmente que o dirigente terá constituído um executivo maioritariamente composto por amigos pessoais e vizinhos, muitos dos quais não eram militantes da JFNLA antes da sua candidatura, tendo sido integrados como forma de retribuição por apoios eleitorais, situação que, segundo os denunciantes, fragiliza a coesão interna e compromete a imagem da organização juvenil.
Outro episódio que gerou forte indignação entre os militantes prende-se com a alegada utilização indevida de 300 mil kwanzas, disponibilizados pelo partido para a recepção de um representante da juventude de um partido liberal amigo.
Segundo as denúncias, o montante terá sido desviado para fins pessoais, aprofundando o clima de desconfiança no seio da JFNLA.
Para além das questões financeiras e políticas, os militantes manifestam preocupação com o silêncio da direcção juvenil em relação a um grave incidente envolvendo o disparo de uma arma de fogo contra um dos principais quadros e estrategas da campanha de Carlos Cassoma, que posteriormente se desvinculou do dirigente.
O caso, considerado chocante, não mereceu qualquer posicionamento público ou institucional por parte da liderança da JFNLA.
Os militantes alertam que, a confirmarem-se, estas práticas configuram um atentado à ética, à moral política e aos valores históricos da FNLA, partido que se afirma como defensor do interesse colectivo acima de ambições individuais.
Face à gravidade das acusações, os membros da JFNLA exigem esclarecimentos públicos urgentes, o apuramento rigoroso das responsabilidades políticas, administrativas e disciplinares, bem como a intervenção imediata dos órgãos competentes do partido, com vista à reposição da legalidade, da disciplina interna e da credibilidade da organização juvenil.
“A JFNLA não pode ser transformada num instrumento de interesses pessoais ou de agendas externas. Pertence aos seus militantes e deve continuar a ser um espaço de unidade, responsabilidade e compromisso com Angola”, sublinham os denunciantes.