Irregularidades financeiras e nepotismo no Instituto Superior Politécnico do Bengo
Irregularidades financeiras e nepotismo no Instituto Superior Politécnico do Bengo
bambi

Uma denúncia anónima enviada ao Imparcial Press levanta sérias suspeitas de irregularidades administrativas e financeiras no Instituto Superior Politécnico do Bengo (ISPB), sob a liderança da actual presidente, Aurora Bambi.

O documento, que pede investigação urgente das autoridades competentes, refere casos de desvio de fundos, nepotismo, má gestão e perseguição laboral, alegadamente praticados no seio da direcção da instituição.

De acordo com o teor da denúncia, o ISPB atravessa um período de instabilidade administrativa e financeira, marcado por uma gestão “centrada em interesses familiares” e pela ausência de mecanismos eficazes de controlo interno.

A presidente, Aurora Bambi, é acusada de “concentrar poder” e “tomar decisões arbitrárias”, ignorando regulamentos internos e princípios de ética pública.

O texto aponta ainda a presença de familiares em cargos de chefia, entre eles Renato Luís (irmão) e Abel Brito (sobrinho), situação que, segundo os denunciantes, gera conflitos de interesse e intimidação contra funcionários que tentam denunciar as irregularidades.

O caso mais grave relatado envolve o suposto desvio de mais de 400 mil kwanzas durante o exercício financeiro de 2024, imputado a Renato Luís, actual chefe de secção no Departamento da Secretaria-Geral.

Segundo o documento, o montante teria sido movimentado “sem autorização formal nem justificação contabilística”, a partir de contas destinadas à manutenção de infra-estruturas.

A denúncia refere ainda que, mesmo após a ocorrência ser reportada ao Conselho de Direcção, nenhum inquérito interno foi aberto, tendo a presidente alegadamente “encoberto o caso para proteger o irmão”.

O documento cita, entre outras situações, a utilização de fundos institucionais para fins pessoais, falta de transparência na gestão de um financiamento de 3 milhões de dólares do Projecto TEST, admissões sem concurso público e lavras comerciais no interior do campus supostamente administradas por familiares da presidente.

Outros pontos destacados incluem o não pagamento de contribuições fiscais (IRT e INSS) para funcionários contratados sem vínculo formal, e alegações de perseguição e transferências arbitrárias contra trabalhadores e docentes que tentaram denunciar as práticas.

O documento descreve um “ambiente de medo e desconfiança” no ISPB, que estaria a comprometer o funcionamento académico e a imagem pública da instituição.

Os denunciantes apelam à intervenção do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, do Tribunal de Contas e da Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE), pedindo uma auditoria independente sobre os factos relatados.

Solicitam, em particular, a investigação do alegado desvio de fundos, do possível encobrimento por parte da presidente e da legalidade das contratações e da aplicação dos recursos do Projecto TEST.

A denúncia, remetida de forma anónima, “por receio de represálias”, e os autores garantem possuir documentos internos comprovativos, disponíveis mediante protecção de confidencialidade.

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