João Lourenço faz última intervenção na ONU como Presidente de Angola
João Lourenço faz última intervenção na ONU como Presidente de Angola
JL onu

O Presidente angolano, João Lourenço, participou terça-feira, em Nova Iorque, no debate geral da 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, naquela que deverá ser a sua última intervenção na tribuna da ONU enquanto Presidente da República, antes das eleições gerais previstas para 2027.

A 82.ª sessão da Assembleia Geral terá início em setembro de 2027, devendo Angola ser representada pelo novo Chefe de Estado, a se eleito nas eleições gerais previstas para agosto ou setembro do mesmo ano.

Na intervenção, marcada pelo apelo ao reforço da diplomacia e do multilateralismo, João Lourenço afirmou que “nenhuma arma é mais poderosa que a diplomacia”, defendendo que as Nações Unidas devem recuperar o seu papel central na prevenção e resolução pacífica dos conflitos internacionais.

O chefe de Estado manifestou preocupação com o agravamento do cenário internacional e apontou para os conflitos na Europa, no Médio Oriente, no Golfo Pérsico e em África, bem como para o aumento das tensões na região da Ásia-Pacífico.

João Lourenço apelou ao respeito pelo Direito Internacional e pela Carta das Nações Unidas e defendeu uma maior utilização da diplomacia na resolução dos conflitos. “Só no âmbito das Nações Unidas podemos evoluir na busca de soluções pacíficas para os conflitos que assolam o mundo”, afirmou.

Na sua intervenção, o Presidente angolano voltou também a defender uma reforma profunda do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com uma representação mais adequada de África, da América Latina e da Ásia como membros permanentes, com todos os poderes inerentes.

Angola reafirmou, neste contexto, o apoio ao Consenso de Ezulwini e à Declaração de Sirte, posições comuns africanas sobre a reforma do Conselho de Segurança, defendendo que a voz do continente deve ser considerada nas decisões relativas à paz e segurança internacionais, ao financiamento do desenvolvimento, às alterações climáticas e à governação da Inteligência Artificial.

A questão do desenvolvimento ocupou igualmente parte da intervenção. João Lourenço apelou ao financiamento acessível, ao alívio da dívida dos países em desenvolvimento, à transferência de tecnologia e à reforma da arquitectura financeira internacional, considerando que os elevados encargos da dívida limitam o investimento em áreas como saúde, educação e infra-estruturas.

O Presidente angolano abordou ainda os efeitos das alterações climáticas em África, defendendo um financiamento climático previsível e acessível, e destacou o potencial da Inteligência Artificial para sectores como a educação, saúde, agricultura, serviços públicos e investigação científica.

No plano internacional, João Lourenço condenou o terrorismo, defendeu o fim do embargo a Cuba e manifestou preocupação com a situação dos palestinianos. Abordou também a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e os conflitos no Médio Oriente e no Golfo Pérsico, apelando a soluções diplomáticas e ao respeito pelo Direito Internacional.

A intervenção ocorreu no ano em que Angola assinala 50 anos de adesão às Nações Unidas. O país tornou-se membro de pleno direito da organização em Dezembro de 1976, pouco mais de um ano depois da proclamação da Independência Nacional.

João Lourenço destacou ainda o papel que Angola tem procurado desempenhar na promoção da paz e na resolução de conflitos em África, referindo iniciativas realizadas em Luanda e a defesa do princípio de “soluções africanas para os conflitos em África”.

A 81.ª sessão da Assembleia Geral abriu em 8 de Setembro de 2026 e decorre até 7 de Setembro de 2027. O debate geral, que reúne chefes de Estado e de Governo e outros representantes de alto nível, decorre entre 22 e 28 de Setembro.

As eleições gerais angolanas estão previstas para 2027. A Constituição estabelece que o mandato do Presidente da República tem a duração de cinco anos e termina com a posse do novo Presidente eleito.

Desta forma, a participação de João Lourenço na 81.ª Assembleia Geral deverá marcar a sua última presença na tribuna da ONU como chefe de Estado angolano. Na próxima sessão, já em 2027, Angola deverá ser representada pelo Presidente eleito nas eleições gerais, desde que este tenha entretanto tomado posse.

No encerramento do discurso, João Lourenço retomou a mensagem que marcou a sua intervenção, ao afirmar que “nenhuma arma é mais poderosa que a diplomacia”, defendendo uma ordem internacional assente no diálogo, na cooperação e no Direito.

A 81.ª sessão da Assembleia Geral decorre sob o lema “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Produz Resultados para Todos”.

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