
João Lourenço, Presidente da República, se fosse sensível, auto-demitir-se-ia da mais alta liderança do país. É inconcebível, pelo conceito de “LIDERANÇA”, que um líder receba dos liderados, como retorno das suas ações, desagrado, inúmero descontentamento e reivindicações.
Se olharmos no mais amplo sentido de conceção de “LIDERANÇA”, percebemos a enorme anomalia entre o líder e os liderados. Liderar é uma ação democrática que exige prudência ao lidar com as pessoas que escolheram quem os lidera para dirigir os seus destinos.
No entanto, existe um fator importante na liderança chamado “respeito”: quem lidera sujeita-se ao “respeito” de ouvir as opiniões, ideias e sugestões dos liderados.
Este princípio, no entanto, parece ser ignorado no contexto da “LIDERANÇA” governativa em Angola. Aqui, o líder não é visto como exemplar; aliás, é frequentemente alvo de humilhações por onde passa.
O povo une-se para reivindicar a fome, a falta de água e condições mínimas nas comunidades. Este facto atropela o conceito de “LIDERANÇA”. Se fosse bem praticado, os liderados poderiam, de forma calorosa, opor-se a atitudes de protesto, escolhendo dialogar à porta fechada, num ambiente de paz e sossego.
Angola é, de facto, uma cela ao ar livre. Por aqui, só os “PLANTÃO” – os donos da cela – vivem bem, graças à imposição de normas que controlam tudo o que existe na cela. Já nós, os cidadãos nobres, somos denominados “consofredores”, porque usufruímos do resto que provém da “PLANTANINHA”.
Este é um exemplo abismal da realidade de um país rico, com potencial para se desenvolver, mas que, paradoxalmente, é dominado por um pequeno grupo que monopolizou o progresso. O resultado é um cenário que reflecte a Somália.
Em Luanda, especificamente, a realidade é comparável à de Mogadíscio: comemos do lixo porque não há políticas assertivas, dormimos ao relento porque não há distribuição equitativa de habitações, adoecemos porque não existem condições suficientes nas unidades hospitalares.
Como se não bastasse, não avançamos em tecnologia, política ou sociedade devido à falta de políticas educacionais. Por estas razões, seria suficiente para o Presidente se demitir do cargo, em vez de optar pela prepotência, que provoca a ira do povo e, consequentemente, maiores caos.
“Organizar o país não se faz em dois anos, são realmente entre dez ou mais anos para tal”, disse João Lourenço. Por conveniência, no entanto, optou por estas expressões para justificar a manutenção do segundo mandato (2022), sabendo que os Emirados Árabes Unidos foram reconstruídos em dez anos após a sua pior tragédia.
Hoje, este país possui o maior centro metropolitano do mundo, tanto em infraestrutura como em economia. João Lourenço provou, por A + B, que não possui astúcia para dirigir os destinos do país.
Entre a continuidade e a ruptura, escolheu a continuidade, porque a política em Angola continua a servir como campo para o enriquecimento ilícito. Os governantes saqueiam sem precedentes, e o vício só será travado quando uma revolução impuser a rutura.
Portanto, o caso de Angola não é diferente de grandes nações totalitárias, absolutistas e tirânicas. Com o MPLA no governo, continuaremos a viver um paraíso infernal, onde não há valores nem princípios de respeito pela vida humana.
Aqui, atropelam-se o direito, os deveres e garantias fundamentais, a liberdade de expressão e os Direitos Humanos.