
Os jornalistas dos órgãos de comunicação social públicos vão beneficiar de um ajustamento salarial de 27% a partir de Outubro deste ano, anunciou ontem, quinta-feira, em Luanda, o secretário de Estado para a Comunicação Social, Nuno Caldas Albino.
Segundo o governante, o pacote prevê ainda um segundo incremento, de 31% em Janeiro de 2026, relativo à progressão de carreiras, que permitirá alcançar um aumento cumulativo de 58%.
Em alguns casos, particularmente para os quadros core – profissionais directamente ligados à produção noticiosa e editorial –, as actualizações poderão atingir até 75%.
O responsável explicou que a proposta partiu dos Conselhos de Administração das empresas públicas do sector, tendo o Executivo validado os ajustamentos “dentro das reais capacidades financeiras do Estado”.
“Existe grande preocupação das empresas, sobretudo com o capital humano. Por este facto, estão em curso programas para a melhoria das condições de trabalho, sociais e financeiras dos profissionais da comunicação social, que estão no centro das nossas preocupações”, sublinhou Nuno Caldas.
Ameaça de greve em Setembro
O anúncio surge num momento particularmente sensível para a classe jornalística. O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) havia convocado uma assembleia-geral para o próximo dia 2 de Setembro, com o objectivo de deliberar sobre a realização de uma greve nacional.
Entre as principais reivindicações estavam a actualização dos salários, considerados desajustados face ao custo de vida, e a melhoria das condições laborais em várias empresas públicas de comunicação social.
A pressão sindical gerou receios de uma paralisação inédita no sector, que poderia comprometer a produção e difusão noticiosa em todo o país.
Apesar do anúncio do Governo, a direcção do SJA não afastou, até ao momento, a possibilidade de manter a agenda da assembleia, alegando ser necessário avaliar com os associados se as propostas oficiais respondem, de forma satisfatória, às exigências apresentadas.
O Executivo garante, contudo, que continuará aberto ao diálogo. “O direito à greve é constitucional e respeitado. O importante é mantermos sempre uma via de concertação permanente”, frisou o secretário de Estado.