
Um clima de insatisfação tomou conta dos juristas angolanos após a realização do Exame Nacional da Ordem dos Advogados de Angola, ocorrido na sexta-feira, 31 de Maio. Diversos candidatos relataram frustração com a prova, considerada “extremamente difícil”, e expressaram preocupações sobre a transparência e equidade do processo.
O exame, que incluiu 21 questões de múltipla escolha e 18 questões dissertativas, foi alvo de críticas devido ao seu elevado nível de complexidade. Segundo relatos, as questões dissertativas, que ocupavam duas páginas cada, exigiam um conhecimento aprofundado em processos Civil e Penal, geralmente associado a profissionais experientes.
“Foi mais desafiador do que as provas do INEJ [Instituto Nacional de Estudos Judiciários]”, afirmou um dos candidatos ao Imparcial Press.
Os candidatos, que reivindicam a impugnação do exame, argumentam que a Ordem dos Advogados arrecadou mais de 86 milhões de kwanzas com a taxa de inscrição, valor considerado suficiente para a realização de novos exames, caso necessário.
“Queremos impugnação”, clamam muitos dos participantes, alegando que o novo bastonário da Ordem dos Advogados agiu de maneira desleal.
A discrepância entre o exame deste ano e os dos anos anteriores (2020, 2021, 2022 e 2023) foi destacada por vários candidatos, que consideraram as provas anteriores mais acessíveis.
“Não há justificativa para esta barbaridade, a menos que haja intenções de proteger os interesses dos advogados mais experientes”, lamentou ao Imparcial Press um outro candidato ao exame.
Além disso, a crítica centra-se na percepção de que a dificuldade excessiva do exame pode estar a ser utilizada como uma barreira para dificultar o ingresso de novos advogados, favorecendo assim os profissionais já estabelecidos no mercado.
A comunidade jurídica aguarda com expectativa um pronunciamento oficial da Ordem dos Advogados de Angola sobre estas alegações.
O debate em torno do exame promete continuar intenso, refletindo a frustração e o descontentamento de uma nova geração de juristas que desejam ingressar na advocacia e contribuir para o sistema de justiça do país.