Justiça Suíça leva multinacional Trafigura ao banco dos réus por corrupção de 5 milhões de dólares em Angola
Justiça Suíça leva multinacional Trafigura ao banco dos réus por corrupção de 5 milhões de dólares em Angola
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A multinacional suíça Trafigura enfrenta acusações formais de negligência por não ter impedido um esquema de suborno avaliado em 5 milhões de dólares, alegadamente realizado para garantir contratos com a empresa petrolífera angolana Sonangol, então presidida por Manuel Vicente enquanto presidente do Conselho de Administração.

Procuradores suíços afirmam que as práticas irregulares, ocorridas entre 2009 e 2011, resultaram em lucros de 144 milhões de dólares para a companhia. O caso envolve Mike Wainwright, um antigo executivo da Trafigura que já se encontra reformado.

Segundo as investigações, Wainwright – que nega as acusações – terá desempenhado um papel activo no esquema, tendo supostamente assinado documentos essenciais para a concretização das transações.

As autoridades suíças alegam que o esquema incluía o pagamento de subornos a um alto funcionário da Sonangol que responde pelo nome de Paulo Gouveia Júnior.

Estes pagamentos visavam garantir a aprovação de oito contratos de aluguer de navios e de um contrato de abastecimento, assegurando vantagens comerciais para a Trafigura.

Entre 2009 e 2011, a Trafigura terá transferido 4,3 milhões de dólares para uma empresa registada nas Ilhas Virgens Britânicas, tendo Paulo Gouveia Júnior como beneficiário. Além disso, Gouveia Júnior terá recebido em mão outros 600 mil dólares em Angola.

Os pagamentos foram processados através de um intermediário descrito pelos procuradores como um “consultor” que trabalhou exclusivamente para a Trafigura.

Este intermediário, referido apenas como o “Sr. Não Cumpridor”, teria sido uma peça-chave no esquema. O seu nome não foi divulgado, e não se sabe se terá recebido parte dos montantes envolvidos.

Caso seja considerada culpada, a Trafigura poderá ser obrigada a devolver cerca de 150 milhões de dólares em lucros obtidos com o esquema às autoridades suíças. Esse montante representa aproximadamente 2% do lucro total da empresa em 2023.

As acusações contra a multinacional suíça colocam em evidência questões éticas e legais, especialmente tendo em conta o seu papel relevante no desenvolvimento do Porto do Lobito, em Benguela, Angola. Até ao momento, as autoridades angolanas e Paulo Gouveia Júnior não se pronunciaram sobre o caso.

A Trafigura, uma das maiores empresas do setor de commodities no mundo, ainda não comentou as acusações. Já Mike Wainwright reafirma a sua inocência, com os seus representantes legais garantindo que contestarão as alegações em tribunal.

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