Lunda Norte: Morgue do hospital sanatório inoperante há dois meses
Lunda Norte: Morgue do hospital sanatório inoperante há dois meses
Hospital Sanatório Lunda Norte

A morgue do Hospital Sanatório da Lunda Norte, localizada no Dundo, está fora de serviço há dois meses, deixando em evidência a fragilidade da infra-estrutura hospitalar na província.

Com apenas quatro gavetas e paralisada devido a uma avaria técnica, o equipamento essencial para a conservação de cadáveres tornou-se um símbolo das deficiências críticas no sistema de saúde local.

O director-geral da instituição, André Disside, atribuiu a falha ao desgaste pelo tempo de vida útil dos equipamentos, mas a realidade parece mais grave.

A ausência de soluções rápidas para reparar ou substituir o equipamento expõe uma gestão precária e uma incapacidade de planeamento no sector da saúde.

Enquanto o problema persiste, o hospital recorre a medidas improvisadas. Após o falecimento de pacientes, os familiares são notificados para realizarem funerais imediatos.

Quando os familiares não estão disponíveis, a direcção do hospital e as autoridades locais assumem as cerimónias, agravando a sensação de desorganização.

“Estamos a trabalhar na aquisição de uma nova morgue com maior capacidade, para evitar gastos avultados com reparações constantes,” justificou Disside.

No entanto, a promessa de solução surge como uma resposta tardia a um problema previsível, indicando falta de manutenção preventiva e visão estratégica.

Equipamento de diagnóstico de tuberculose também paralisado

A situação no Hospital Sanatório da Lunda Norte vai além da morgue. O aparelho essencial para o rastreio em tempo real da tuberculose – incluindo casos de tuberculose multi-droga resistente – está inoperacional devido à ausência de cartuchos no mercado interno.

Esta falha compromete seriamente a capacidade de diagnóstico e tratamento, num hospital que, em 2024, registou 1.699 casos de tuberculose, dos quais 107 resultaram em óbitos.

A ausência de materiais básicos como cartuchos reflecte a negligência e falta de priorização das necessidades críticas de saúde pública. O hospital, sendo a única unidade de referência para doenças pulmonares na região, está claramente sobrecarregado.

Com apenas 120 camas para internamento e uma crescente pressão para lidar com doenças como VIH/Sida – que registou 282 casos em 2024 – o hospital enfrenta um colapso iminente.

A falta de investimentos e soluções duradouras para problemas recorrentes evidencia a desatenção das autoridades responsáveis pela saúde pública.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido