
A Universidade Gregório Semedo (UGS), em Luanda, está no centro de graves acusações de má gestão académica e alegadas práticas fraudulentas que têm prejudicado dezenas de estudantes e ex-alunos, sobretudo da Faculdade de Direito.
As denúncias, feitas de forma anónima ao Imparcial Press, apontam para o desaparecimento inexplicável de notas, a reaparição de cadeiras já concluídas, a retenção injustificada de certificados e diplomas e até cobranças de dívidas após o trancamento oficial de matrículas.
Um dos ex-estudantes, que frequentou a instituição entre 2011 e 2014, relata que ao tentar retomar os estudos em 2023, encontrou no seu histórico académico mais de dez disciplinas em aberto, apesar de já as ter concluído.
“Notas desapareceram das pautas, cadeiras voltaram a aparecer como se nunca tivessem sido feitas e, sem declaração de notas, fui obrigado a repetir cadeiras já vencidas”, denuncia.
Outros problemas recorrentes incluem certificados de conclusão pendentes há mais de dois anos, estudantes impedidos de participar em cerimónias de outorga e casos de graduados que, mesmo após terminarem o curso, permanecem sem diploma.
Segundo os relatos, as tentativas de resolução por via administrativa e legal, incluindo pedidos de audiência à reitoria, têm sido ignoradas, deixando os estudantes sem respostas.
“A própria universidade inviabilizou o acesso ao meu histórico académico, o que me prejudicou profissionalmente, já que no meu emprego exigem o certificado final”, afirma o denunciante.
O caso tem gerado preocupação entre atuais e antigos estudantes, que se dizem reféns de um sistema marcado pela opacidade e pela ausência de mecanismos eficazes de reclamação. Muitos permanecem em silêncio por medo de represálias ou por falta de esperança em mudanças.
As denúncias levantam sérias questões sobre a credibilidade da instituição, uma das mais conhecidas universidades privadas de Angola, e geram apelos à intervenção urgente das autoridades judiciais, do Ministério do Ensino Superior e da sociedade civil.
“A educação não pode ser tratada como negócio sujo. Precisamos de justiça”, conclui a fonte do Imparcial Press, em apelo público para que a situação seja investigada e que os direitos dos estudantes sejam respeitados.